Setembro e outubro acendem alerta para acidentes com escorpiões; Brasil já registra mais de 202 mil casos em um ano
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Com a chegada dos meses mais quentes e úmidos, setembro e outubro concentram o maior número de acidentes com escorpiões no Brasil. Dados do sistema de notificação do Ministério da Saúde apontam que o país já registrou 202.324 acidentes em um único ano, enquanto o número de mortes passou de 92 para 134 no período analisado.
Entre 2014 e 2023, foram contabilizados aproximadamente 1,17 milhão de acidentes, um crescimento de cerca de 250% em dez anos. Os escorpiões representam a maior parcela dos acidentes envolvendo animais peçonhentos no país.
O aumento das ocorrências está relacionado às condições ambientais. Com temperaturas mais altas e maior umidade, os animais ficam mais ativos e podem buscar abrigo dentro das residências.
Por que setembro e outubro exigem mais atenção?
A distribuição dos acidentes não é igual durante todo o ano. Setembro e outubro são os meses com maior número de notificações, ultrapassando 20 mil ocorrências em cada período.
O calor, a umidade e a maior disponibilidade de alimento favorecem a atividade dos escorpiões. A espécie mais associada aos casos graves no país é o escorpião-amarelo, que possui alta capacidade de reprodução.
O problema também está diretamente relacionado ao ambiente urbano. Entulho, materiais de construção, lixo e presença de baratas criam condições favoráveis para a proliferação desses animais.
Escorpiões podem entrar nas casas por ralos e frestas
Dentro das residências, os escorpiões procuram locais escuros, úmidos e apertados. Entre os principais pontos de entrada estão:
ralos sem proteção;
frestas embaixo de portas;
caixas de esgoto abertas;
buracos e rachaduras em paredes;
vãos de batentes e janelas.
Depois de entrar, podem se esconder em sapatos, roupas, toalhas, roupas de cama, atrás de móveis e em outros locais pouco movimentados.
Por isso, acidentes frequentemente acontecem quando alguém calça um sapato, pega uma roupa ou mexe em objetos sem verificar antes.
Entulho e baratas aumentam o risco
Manter materiais acumulados próximos às paredes, como tijolos, telhas, madeira e folhas secas, favorece a criação de abrigos para os escorpiões.
A presença de baratas também é um fator importante, já que elas estão entre as principais fontes de alimento dos escorpiões encontrados em áreas urbanas.
A prevenção, portanto, depende principalmente da organização do ambiente. Limpar o interior da residência, mas manter quintais com entulho, mato alto e materiais acumulados não elimina o risco.
Crianças estão entre as principais vítimas graves
Embora muitos acidentes provoquem apenas dor intensa no local da picada, o risco de complicações é maior em crianças pequenas, especialmente por causa do menor peso corporal.
Uma quantidade de veneno que pode provocar apenas sintomas locais em um adulto pode causar manifestações mais graves em uma criança.
Por isso, picadas em crianças devem ser tratadas como situação de urgência, assim como em idosos e pessoas com determinadas condições de saúde.
O que fazer em caso de picada
Após um acidente, a orientação é:
lavar o local com água e sabão;
manter a pessoa em repouso;
procurar atendimento médico o mais rápido possível;
informar, se possível, o horário em que ocorreu a picada.
O soro antiescorpiônico é disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e sua utilização depende da avaliação médica em um serviço de saúde.
Se for possível fazer isso sem colocar a própria segurança em risco, o animal pode ser levado para identificação. Não é recomendado tentar capturá-lo e correr o risco de uma nova picada.
O que não fazer
Em caso de acidente, não se deve:
cortar ou furar o local;
espremer a região;
fazer torniquete;
aplicar substâncias caseiras;
tentar retirar o veneno por conta própria;
esperar os sintomas desaparecerem quando a vítima for criança.
Prevenção começa dentro e fora de casa
Algumas medidas ajudam a reduzir consideravelmente o risco:
instalar telas ou tampas adequadas nos ralos;
vedar frestas inferiores das portas;
manter quintais livres de entulho e mato alto;
evitar acumular materiais de construção junto aos muros;
sacudir sapatos, roupas e toalhas antes de utilizá-los;
evitar que roupas de cama encostem no chão;
manter camas afastadas das paredes;
controlar a presença de baratas;
manter caixas de gordura e sistemas de esgoto devidamente fechados.







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