Suspeitos de matar jovem concretada em BH irão a júri popular
Elisa Ribeiro
2 de out.
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FONTE: O TEMPO
Os dois homens acusados de assassinar e concretar a jovem Clara Maria Venâncio Rodrigues, de 21 anos, no bairro Ouro Preto, região da Pampulha, em Belo Horizonte, serão julgados pelo Tribunal do Júri. A decisão foi divulgada nesta quinta-feira (2/10) pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).
De acordo com a sentença de pronúncia, Thiago Schafer Sampaio, de 21 anos, e Lucas Rodrigues Pimentel, de 29, vão responder por feminicídio qualificado, ocultação e vilipêndio de cadáver, tentativa de furto qualificado e abuso de animal doméstico. A data do julgamento ainda não foi definida.
A juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza manteve a prisão preventiva dos réus, destacando a “gravidade concreta da conduta”. Ela rejeitou os pedidos da defesa, que tentava a nulidade, impronúncia ou desclassificação do feminicídio. “Cabe ao júri popular, como juízo natural da causa, analisar as provas e decidir sobre os fatos”, afirmou a magistrada.
Motivações do crime
Segundo a denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o crime ocorreu em 9 de março de 2025. Clara foi morta por asfixia mecânica, através de estrangulamento e sufocamento com pano. A acusação aponta que ela foi atraída até a residência de Thiago sob o pretexto de cobrar uma dívida de R$ 400.
O MP sustenta que Thiago teria cometido o crime em razão da resistência da vítima às suas investidas amorosas e para se livrar da dívida. Já Lucas teria agido motivado por vingança, após ser repreendido publicamente por Clara em uma cervejaria, quando foi criticado por fazer apologia ao nazismo.
Para a promotoria, a motivação é considerada torpe, com claro menosprezo à condição de mulher. Além disso, a investigação levantou a hipótese de que o assassinato foi premeditado e poderia ter ligação com a intenção de um dos suspeitos de praticar necrofilia.
Relembre o caso
Clara desapareceu em 9 de março, após sair para cobrar a dívida. Ela pretendia encontrar o devedor em local público, mas acabou sendo convencida a ir até a casa dos acusados.
No dia 12 de março, o corpo da jovem foi localizado na residência de Thiago. De acordo com a Polícia Civil, após o crime, o corpo permaneceu um dia sobre uma cama e, depois, foi enterrado no quintal, coberto por concreto.
Os policiais perceberam o crime ao notar o forte cheiro e a área recém-cimentada. Inicialmente, Thiago negou envolvimento, mas acabou confessando a ocultação. Ele ainda resistiu à prisão, mas foi contido. O Corpo de Bombeiros auxiliou na remoção do corpo.
O caso passou a ser investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). O delegado Alexandre Oliveira da Fonseca afirmou que havia fortes indícios de premeditação.
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