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The Economist diz que economia brasileira está “sufocada” por penduricalhos e entraves fiscais

  • há 3 horas
  • 3 min de leitura
Reprodução
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A revista britânica The Economist publicou um artigo crítico sobre a situação fiscal e econômica do Brasil, afirmando que o país vive um momento em que sua economia estaria sendo “sufocada por interesses arraigados”, em meio a um conjunto de penduricalhos que limitam o potencial de crescimento e pressionam as contas públicas. Segundo a reportagem, para que o Brasil alcance seu potencial econômico, os parlamentares eleitos precisam “encontrar a coragem de enfrentar os interesses arraigados” que, na visão da publicação, travam reformas estruturais essenciais.

A publicação observa que a dívida pública bruta do Brasil deve atingir 99% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2030, uma cifra significativamente maior do que os 62% registrados em 2010, conforme projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI). A revista destaca que, apesar de o país ainda não estar em uma situação de “UTI fiscal”, como disse o ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, o cenário fiscal está em processo de degradação e pode se tornar insustentável caso não sejam tomadas medidas de ajuste.

Um dos pontos centrais da crítica da The Economist são os “penduricalhos” que, segundo o texto, sufocam a economia. Entre eles, a revista cita pensões elevadas e um código tributário extremamente complexo como obstáculos significativos ao crescimento econômico. A publicação salienta que, embora a reforma tributária possa impulsionar o PIB, a rigidez de partes do sistema de gastos públicos limita o espaço fiscal.

A análise destaca que os gastos com programas de assistência social podem servir, em parte, como uma espécie de “cortina de fumaça” que oculta a capacidade de grupos poderosos de extrair benefícios do Estado, dificultando a adoção de reformas mais profundas necessárias para a sustentabilidade das contas públicas.

A reportagem também ressalta a discrepância entre o tamanho da população economicamente ativa no setor privado — cerca de 40 milhões de pessoas — e o número de 13 milhões de funcionários públicos, embora as despesas com previdência de ambos os sistemas sejam praticamente equivalentes. A revista aponta ainda que o Judiciário brasileiro é o segundo mais caro do mundo, representando 1,3% do PIB, e que decisões judiciais que determinam pagamentos de pensões e benefícios sociais custam ao governo federal anualmente o equivalente a cerca de 2,5% do PIB.

Outro elemento mencionado é o sistema de aposentadorias dos militares, que, na média, se aposentam aos 55 anos com aposentadoria integral, um ponto que, segundo a The Economist, representa uma distorção que precisa ser abordada caso o país deseje avançar em reformas mais amplas.

O texto da revista também destaca a tentativa do Congresso de conquistar a confiança do mercado com a formulação de um arcabouço fiscal para conter o déficit primário, mas reforça que, na avaliação da publicação, isso não foi suficiente. A The Economist afirma que, sem uma reforma da previdência mais abrangente, o mercado jamais confiará plenamente na disciplina fiscal brasileira, o que estaria custando ao Brasil entre meio e um ponto percentual de crescimento do PIB anualmente, podendo somar até US$ 250 bilhões na próxima década caso não ocorram mudanças significativas.

A conclusão do artigo, segundo a revista, é que o futuro econômico do Brasil depende não apenas de medidas pontuais, mas da coragem dos parlamentares e líderes políticos eleitos nas próximas eleições para enfrentar interesses corporativos e promover reformas estruturais — sem as quais, argumenta a revista, o país corre o risco de ver sua economia estagnar e entrar em crise fiscal mais profunda.

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Gazeta de Varginha

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