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Treinamentos nos EUA incluem inteligência, operações cibernéticas, Ranger e atiradores de elite

  • há 4 dias
  • 4 min de leitura
Treinamentos nos EUA incluem inteligência, operações cibernéticas, Ranger e atiradores de elite
Divulgação/O Exército Brasileiro enviará 59 militares aos Estados Unidos para participar de 40 cursos oferecidos pelo Exército norte-americano. O pacote custou US$ 400 mil, cerca de R$ 2,09 milhões, e inclui treinamentos em áreas como inteligência, operações cibernéticas, Ranger, paraquedismo e formação de atiradores de elite.
Exército envia 59 militares aos EUA para 40 cursos que custaram US$ 400 mil.

O Exército Brasileiro enviará 59 militares aos Estados Unidos para participar de 40 cursos oferecidos pelo Exército norte-americano. O pacote de treinamento custou US$ 400 mil, pagos antecipadamente. Considerando a cotação de R$ 5,2358 utilizada pela própria Força, o valor corresponde a R$ 2,09 milhões, com custo médio de aproximadamente R$ 35,5 mil por militar.

As informações foram obtidas pelo ICL Notícias por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) e mostram que a cooperação militar entre Brasil e Estados Unidos continua ativa, mesmo durante períodos de tensão política entre os dois países.

O pagamento foi realizado na conta BR-B-OBU, vinculada ao Foreign Military Sales (FMS), mecanismo utilizado pelo governo norte-americano para fornecer equipamentos, serviços e treinamento militar a países parceiros.

A programação inclui cursos administrativos, mas também treinamentos relacionados a áreas estratégicas da atividade militar.

Inteligência, Ranger e operações cibernéticas estão entre os cursos
A relação dos treinamentos inclui Liderança Estratégica de Inteligência, Operações de Informação, Forças Especiais, explosivos e destruições, formação de atiradores de elite, Operações Conjuntas Interagências, reconhecimento e vigilância, Ranger, paraquedismo e Mestre de Salto.

Dois militares brasileiros participarão do Curso Componente Terrestre da Força Combinada/Conjunta, enquanto outros dois serão treinados em Planejamento de Operações Cibernéticas em Coalizão.

Também estão previstos cursos relacionados a cirurgia de emergência em situações de guerra, atendimento a feridos em combate, planejamento e orçamento, relações públicas, recursos humanos e tratamento de água.

O conjunto dos treinamentos envolve diferentes áreas de atuação das forças terrestres, incluindo inteligência, operações de informação, liderança, comando e capacidades relacionadas à guerra cibernética.

Quinze militares serão preparados para formar outros profissionais
Entre as 59 vagas, 15 serão destinadas a cursos voltados à formação de instrutores e líderes de pequenas unidades.

Dez militares participarão do Drill Sergeant Course, denominado pelo Exército Brasileiro como Curso de Instrutor de Corpo de Tropa. Outros cinco farão o Curso de Líder de Pequenas Frações.

A formação desses profissionais pode ampliar o alcance do intercâmbio quando os militares retornarem ao Brasil, já que instrutores e líderes podem posteriormente compartilhar os conhecimentos adquiridos com outros integrantes das organizações militares.

Exército não divulgou íntegra do contrato
Embora tenha confirmado o pagamento dos US$ 400 mil, o Exército não forneceu a íntegra da Letter of Offer and Acceptance (LOA), documento que estabelece as condições do acordo.

Segundo a justificativa apresentada pela Força, o documento também pertence à instituição norte-americana e não haveria autorização dos Estados Unidos para sua divulgação integral.

Também não foram disponibilizados os pareceres, estudos e notas técnicas utilizados para justificar o pagamento antecipado.

A documentação menciona normas gerais, entre elas a Orientação Normativa nº 37 da Advocacia-Geral da União (AGU), que prevê condições específicas para pagamentos antecipados, como caráter excepcional, justificativa, demonstração de interesse público e adoção de garantias.

A reportagem também aponta que não foi esclarecido se os US$ 400 mil incluem despesas como passagens, hospedagem e diárias dos militares brasileiros.

Sem acesso à íntegra da LOA, permanece limitada a avaliação do custo total da participação brasileira nos treinamentos.

Cooperação militar continuou durante período de tensão
O pacote de cursos faz parte de uma relação de cooperação militar que inclui exercícios conjuntos, intercâmbios e reuniões entre Brasil e Estados Unidos.

Em julho e agosto de 2025, integrantes da Guarda Aérea Nacional de Nova York participaram da Operação Tápio, em Campo Grande, ao lado da Força Aérea Brasileira.

Apesar de episódios de tensão na relação política entre os dois países, os canais de cooperação militar continuaram funcionando.

Em setembro de 2025, a Marinha do Brasil enviou a fragata Independência para a UNITAS 2025. Em novembro, o comando do Exército autorizou o aporte de US$ 400 mil na conta BR-B-OBU. No mês seguinte, foi criada a BR-B-OBY, destinada a financiar exercícios de tropas brasileiras em centros de treinamento de combate nos Estados Unidos.

Já em março de 2026, oficiais brasileiros participaram, no Texas, do planejamento da CORE 26. Também foram realizados intercâmbios relacionados a comunicações militares, neutralização de explosivos e à 42ª Conferência Bilateral de Estado-Maior.

Generais brasileiros participaram de exercício a bordo do USS Nimitz
Em maio, o comandante do Exército, general Tomás Paiva, e o comandante da Marinha, almirante Marcos Olsen, embarcaram no porta-aviões nuclear USS Nimitz durante um exercício conjunto.

No mês seguinte, representantes das Marinhas dos dois países se reuniram em Nova Orleans, enquanto outro pagamento antecipado de US$ 400 mil foi realizado.

Entre junho e julho, militares brasileiros também participaram da FLEETEX 250, do Cyber Shield 2026 e do exercício multinacional Salitre, com atividades relacionadas a guerra cibernética, combate aéreo e uma célula espacial coordenada pela Força Espacial dos Estados Unidos.

Segundo o levantamento citado pelo ICL Notícias, pelo menos US$ 800 mil foram autorizados para atividades desse tipo no período analisado.

Cooperação internacional e autonomia estratégica
A cooperação militar entre países envolve, entre outras iniciativas, intercâmbio de conhecimentos, formação profissional e participação em exercícios conjuntos.

No caso brasileiro, o envio de militares para cursos no exterior envolve áreas como inteligência, operações especiais, liderança, comando e guerra cibernética.

O acompanhamento da execução dos 40 cursos, do embarque dos 59 militares e de eventuais novas informações sobre a Letter of Offer and Acceptance poderá esclarecer quais atividades serão realizadas e quais despesas estão incluídas nos US$ 400 mil já pagos.
Fonte: SociedadeMilitar

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Gazeta de Varginha

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