Trump anuncia exploração massiva de petróleo, gás e minerais na Groenlândia após acordo de segurança com Dinamarca e ilha; presidente destaca riquezas e importância estratégica do Ártico
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na madrugada desta quarta-feira (14) que está sendo preparado o início de uma exploração em larga escala de petróleo, gás natural e minerais na Groenlândia. Em publicação na rede social Truth Social, o mandatário referiu-se ao território como "nossa nova e bela Groenlândia" e destacou que, segundo avaliação de especialistas, a quantidade de petróleo existente na região é muito superior à encontrada em quase qualquer outra área de superfície terrestre do mundo. A declaração foi feita menos de um mês após a assinatura de um acordo trilateral, em Nova York, que reuniu além de Trump, a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, e o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, em cerimônia realizada logo após discurso na Organização das Nações Unidas.
O entendimento firmado em setembro não concretizou a exigência inicial feita por Trump de que os Estados Unidos anexassem a Groenlândia como território norte-americano — reivindicação que havia sido apresentada de forma explícita, chegando o presidente a ameaçar tomar o território à força caso não obtivesse resposta favorável. Em vez disso, o acordo ampliou a presença militar dos EUA na ilha, vedou a instalação de forças de países não integrantes da Otan e autorizou a construção de duas bases americanas no território. O pacto também garante acesso militar dos Estados Unidos à Groenlândia mesmo que a conquista de independência em relação à Dinamarca venha a ocorrer no futuro, funcionando como atualização e complemento a um tratado de defesa que já vigora há 70 anos.
Trump reforçou o caráter estratégico da localização geográfica da ilha, situada no Círculo Polar Ártico, afirmando que de lá depende a capacidade de defesa não apenas dos Estados Unidos, mas também da Europa. "Qualquer ataque futuro aos Estados Unidos terá de passar pela Groenlândia, onde nossas defesas derrubarão rotineiramente drones, mísseis ou qualquer outro tipo de arma que sequer tenha sido concebido", escreveu o presidente. A posição entre a Rússia e a América do Norte confere à região papel central em sistemas de alerta antecipado e defesa antimísseis, ao mesmo tempo em que o degelo vem revelando novas rotas de navegação e acesso a jazidas de minerais estratégicos, áreas que atraem também a atenção da China e da Rússia.
Do ponto de vista energético, a iniciativa coincide com um momento de pressão sobre o mercado de combustíveis nos próprios Estados Unidos. As refinarias instaladas ao longo da Costa do Golfo operam no limite de sua capacidade para compensar interrupções causadas pela guerra no Oriente Médio, enquanto os estoques de reserva de emergência de petróleo norte-americano encontram-se no nível mais baixo desde 1982. Ainda recentemente, o furacão Isaías provocou a interrupção de cerca de 16% da produção diária de petróleo e de gás natural no Golfo do México, agravando a preocupação com a segurança do abastecimento. A exploração na Groenlândia é apresentada pelo governo como alternativa de longo prazo, embora a viabilidade econômica e ambiental de operar em condições climáticas extremas ainda precise ser demonstrada.
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