Trump é o centro de convenção republicana inédita no Texas enquanto partido já projeta vida pós-saída
há 24 minutos
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Por mais de uma década, Donald Trump consolidou-se como força dominante e figura central do Partido Republicano, em torno da qual passaram a girar comícios, convenções e a própria identidade política da legenda. Nesta semana, os republicanos elevam essa devoção a um patamar sem precedentes, reunindo-se em Dallas, no Texas, a pedido do próprio presidente, para uma convenção de meio de mandato concebida por e para celebrá-lo. Trump participará das duas noites do evento e acompanhará de um camarote as demonstrações de lealdade de líderes e aliados.
Porém, sobre a maior homenagem já prestada pelo partido a Trump paira uma realidade cada vez mais evidente: esta pode ser também uma das últimas grandes celebrações desse tipo. Daqui a 55 dias, os eleitores definirão o controle do Congresso para os dois anos finais de seu mandato, e a baixa popularidade do presidente gera ventos contrários — ao ponto de alguns nomes do partido terem optado por não comparecer ao encontro no Texas. Em seguida, as atenções voltar-se-ão naturalmente para os nomes que disputarão a sucessão, enquanto Trump inicia, pela primeira vez, a contagem regressiva para deixar o poder.
A presença de Trump tornou-se onipresente nos encontros conservadores ao longo dos anos, com símbolos, produtos e até obras de arte que o retratam como figura quase mítica. O próprio presidente tem demonstrado consciência de que seu tempo no cargo está se esgotando e tem buscado consolidar obras e projetos que permaneçam como marca duradoura em Washington. Em encontros recentes, chegou a perguntar à plateia se lembrarão de que foi ele o responsável por iniciativas que só viriam a ser concluídas sob o governo de um sucessor.
Seus aliados reconhecem que a saída inevitável provocará transformações profundas. A próxima convenção nacional republicana, em 2028, deverá ser a primeira desde 2012 sem Trump como nome indicado. A própria ausência do presidente em evento recente da CPAC já teria revelado, segundo organizadores, como seria o cenário político sem sua presença avassaladora — com outras vozes e dinâmicas ganhando espaço.
Mesmo assim, ninguém espera que ele se afaste silenciosamente. Trump deve influenciar a escolha de seu sucessor e manter-se como atração principal de eventos e mobilização da base. Nos próximos dois meses, já estão previstos mais de 30 comícios em estados decisivos, apoiados por uma estrutura financeira que dispõe de cerca de 400 milhões de dólares. A estratégia, porém, enfrenta risco: com taxa de aprovação estagnada em 35%, ainda será possível saber se o eleitorado fiel continuará comparecendo às urnas quando o próprio Trump não estiver na cédula.
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