Vias urbanas: conhecer a classificação é também entender a responsabilidade de quem conduz
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Quando entramos em um veículo, normalmente pensamos no destino, no tempo de deslocamento e no trânsito que encontraremos pelo caminho. Mas existe uma pergunta que deveria fazer parte da rotina de todo condutor: que tipo de via estou utilizando e qual comportamento ela exige de mim?
O Código de Trânsito Brasileiro (CTB), em seu artigo 60, classifica as vias abertas à circulação em diferentes categorias: vias urbanas e vias rurais. Nesta edição, vamos focar nas vias urbanas, localizadas dentro do perímetro urbano.

Essa classificação não é apenas uma questão técnica. Ela está diretamente relacionada às características da circulação, à função da via e às condições de segurança que devem ser observadas por todos os usuários do trânsito.
Cada tipo de via possui uma velocidade máxima permitida, que deve ser indicada por meio de sinalização vertical, através das placas de trânsito. Quando não houver sinalização regulamentadora, devem ser observados os limites estabelecidos pelo artigo 61 do CTB.
E quando falamos da Avenida Celina Ferreira Ottoni, em Varginha/MG?
A Avenida Celina Ferreira Ottoni apresenta características de via urbana arterial, por exercer importante função de ligação entre diferentes regiões da cidade e também de conexão com áreas de acesso e saída do município. A avenida possui pavimento asfáltico, trechos com pistas duplas, separadas por canteiro central, e fluxo intenso e constante de veículos. Apesar de apresentar características de uma avenida de grande fluxo e possuir trechos com pista dupla, é fundamental lembrar de uma condição que muitas vezes acaba sendo esquecida pelos usuários: ela está inserida no ambiente urbano.
E é justamente aí que precisamos mudar nossa percepção.
Uma pista larga, com duas faixas de circulação e fluxo contínuo, pode transmitir ao condutor a sensação de que é possível desenvolver velocidades maiores. Entretanto, a aparência da via não substitui a regulamentação existente.
Na Avenida Celina Ottoni, a sinalização regulamenta a velocidade em 40 km/h nos trechos sinalizados. Diante disso, precisamos fazer uma pergunta simples: eu realmente presto atenção à velocidade que desenvolvo nessa avenida?
Não se trata de apontar o dedo para todos os condutores, mas de reconhecer uma realidade que precisa ser enfrentada com educação, fiscalização e, principalmente, conscientização.
Uma avenida que já deu muitos sinais de alerta
A preocupação com a segurança na Celina Ottoni não é recente.
Em 2019, dados divulgados pela Prefeitura apontavam que a avenida havia registrado 91 acidentes em apenas oito meses, sendo 34 deles com pessoas feridas e dois com vítimas fatais. Na ocasião, foram discutidas medidas como campanhas educativas, melhorias na sinalização e estudos para implantação de equipamentos de controle de velocidade.
Posteriormente, foram implantados alguns mecanismos de controle e segurança, como o monitoramento por meio de fiscalização eletrônica de velocidade, além de redutores físicos de velocidade, como lombadas, posicionados estrategicamente antes de algumas rotatórias.
Mas, mesmo após essas medidas, outros registros continuaram sendo contabilizados.
Em 2023, por exemplo, um acidente envolvendo um caminhão e um automóvel resultou em uma morte e quatro pessoas feridas.
E os registros de ocorrências continuam aparecendo. Em 2026, a Guarda Civil Municipal atendeu a uma ocorrência envolvendo um motociclista e um automóvel na avenida, com a vítima encontrada inconsciente após a colisão.
Esses registros não devem causar medo, mas sim despertar a consciência sobre o papel de cada um na construção de um trânsito mais seguro.
Velocidade: alguns quilômetros podem fazer uma grande diferença
Existe uma diferença importante entre simplesmente dirigir e dirigir de maneira preventiva.
Ao ultrapassar o limite regulamentado, o condutor reduz o tempo disponível para perceber um obstáculo, reagir a uma conversão, identificar um pedestre, frear diante de um veículo parado ou corrigir uma trajetória inesperada. Em uma avenida urbana de grande movimentação, essas frações de segundo podem ser decisivas.
É preciso compreender também que velocidade compatível não significa apenas observar a placa. O próprio CTB estabelece que o condutor deve considerar as condições do local, da circulação, do veículo e das condições climáticas, além de manter o domínio do veículo e dirigir com atenção e os cuidados indispensáveis à segurança.
Não é apenas uma questão de fiscalização
Quando discutimos sinistros em uma via como a Celina Ottoni, é comum surgirem duas posições: responsabilizar exclusivamente o condutor ou cobrar exclusivamente o poder público.
Mas segurança viária não funciona dessa maneira.
O poder público tem responsabilidades importantes: engenharia de tráfego, sinalização adequada, iluminação, fiscalização, manutenção da via, análise dos pontos críticos e adoção de medidas compatíveis com os riscos identificados.
Por outro lado, o condutor também tem uma responsabilidade que não pode ser transferida para ninguém: respeitar as regras de circulação.
Se a via está sinalizada com limite de 40 km/h, cabe ao condutor respeitar os 40 km/h.
Se existe uma conversão regulamentada, é preciso realizá-la com segurança.
Se há cruzamento, rotatória, faixa de pedestres ou acesso a bairros, é necessário reduzir a velocidade e aumentar a atenção.
Não podemos esperar que um radar, uma lombada eletrônica ou um agente de trânsito esteja presente em cada esquina para fazer aquilo que deveria ser uma escolha consciente de cada condutor.
Precisamos de uma campanha pela vida.
Talvez a Avenida Celina Ottoni esteja pedindo mais do que equipamentos de fiscalização.
Talvez esteja pedindo uma grande campanha de conscientização.
Uma campanha que envolva Prefeitura, órgãos de trânsito, forças de segurança, escolas, empresas, profissionais do trânsito, instituições de ensino, imprensa e, principalmente, os próprios usuários da via.
Uma campanha com uma mensagem simples:
“A Celina Ottoni é uma avenida de grande fluxo, mas continua sendo uma via urbana. Respeite os 40 km/h.”
Não como uma ameaça. Não apenas para evitar uma multa. Mas porque chegar alguns minutos depois é infinitamente melhor do que não chegar.
Prevenção começa antes do sinistro
A segurança no trânsito não deve começar depois de uma tragédia. Ela precisa começar antes.
Cada condutor que reduz a velocidade, mantém distância segura, sinaliza corretamente uma mudança de direção, respeita a preferência e presta atenção ao ambiente ao redor está contribuindo para interromper uma cadeia de acontecimentos que pode terminar em um sinistro.
A Avenida Celina Ottoni é uma importante via de Varginha e continuará sendo utilizada diariamente por milhares de pessoas.
Por isso, a discussão não deve ser apenas sobre quem será responsabilizado depois de um acidente.
A pergunta precisa ser: O que podemos fazer hoje para que o próximo acidente não aconteça? E talvez uma das respostas esteja justamente ao alcance de cada condutor:
Respeite a sinalização.
Respeite os 40 km/h.
Respeite a vida.
Porque, no trânsito, prevenção não é andar devagar demais.
É andar na velocidade certa para conseguir voltar para casa.
R-SARTO TREINAMENTOS – Segurança em cada movimento: Protegendo vidas, aprimorando operações.

*Cristiane Gomes é Instrutora, Especialista em Planejamento e Gestão de Trânsito, com formação em Pedagogia, Bacharelado em Administração e curso técnico em Segurança do Trabalho.
Com ampla experiência nas áreas de educação para o trânsito, segurança ocupacional e treinamentos corporativos, é proprietária da R-Sarto Treinamentos, empresa especializada em capacitação profissional e desenvolvimento de programas preventivos.
Atua como colunista da Gazeta de Varginha, abordando temas voltados à prevenção, mobilidade segura e cultura de segurança no trabalho.
Contato profissional: rsartotreinamentos@gmail.com
Instagram: @rsartotreinamentos | @cristianegomesp







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