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Opinião com Luiz Fernando Alfredo - 18/08/2026

  • há 2 dias
  • 4 min de leitura
Luiz Fernando Alfredo
Luiz Fernando Alfredo

O mundo está brincando com fogo. E o Brasil não pode escolher o lado errado

Há momentos na História em que as nações precisam parar de discutir quem está certo e começar a perguntar quem pagará a conta se todos estiverem errados.

Guerras maiores convivem com dezenas de conflitos menores. Ucrânia, Oriente Médio, Israel, Irã, Estados Unidos e seus aliados formam apenas parte de uma engrenagem que ultrapassou as fronteiras dos países envolvidos. O que começa como guerra regional rapidamente alcança o preço do petróleo, o transporte marítimo, os alimentos, os fertilizantes, as moedas e as cadeias de produção.

O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã é a demonstração mais evidente. O problema deixou de ser apenas militar. A instabilidade no Estreito de Ormuz já produz consequências sobre o mercado mundial de energia, enquanto o petróleo se aproxima novamente de patamares elevados.

E guerra moderna não precisa necessariamente transformar-se numa Terceira Guerra Mundial para produzir efeitos semelhantes aos de uma catástrofe global.
Basta que o petróleo falte ou fique proibitivo. Basta que os fertilizantes encareçam. Basta que navios deixem de circular por determinadas rotas. Basta que países pobres não consigam mais comprar alimentos ou energia.

A fome não precisa nascer da falta de comida. Pode nascer da falta de dinheiro para comprá-la.

A água será outro problema. A energia, outro. A migração em massa, outro. E cada crise poderá alimentar a seguinte.

Nesse cenário, os países ricos possuem reservas, tecnologia, moeda forte e capacidade militar para resistir durante muito mais tempo. Os países pobres não.
E o Brasil?

O Brasil deveria compreender que sua maior vantagem histórica é justamente não precisar ser satélite de ninguém.

Temos território, alimentos, água, energia, petróleo, biodiversidade, mercado interno e uma posição geográfica privilegiada. Temos condições de dialogar com Estados Unidos, Europa, China, Rússia, Oriente Médio e demais mercados sem transformar relações comerciais em compromissos ideológicos.
Mas é exatamente aí que mora o perigo.

O Brasil não pode confundir independência diplomática com antagonismo automático às grandes potências.

Nem Washington é nosso inimigo por ser Washington, nem Pequim é nosso amigo simplesmente porque compra nossas commodities. Tampouco Moscou, Teerã ou qualquer outro país deve receber nossa simpatia por oposição aos Estados Unidos.
Países não têm amigos permanentes. Têm interesses permanentes.

E o primeiro interesse permanente do Brasil deveria ser o povo brasileiro.

É preocupante, portanto, quando a política externa passa a ser percebida como extensão da polarização política interna. O mundo está se reorganizando diante dos nossos olhos, e o Brasil não pode entrar nessa reorganização carregando velhas paixões ideológicas.

O BRICS, por exemplo, tornou-se uma importante plataforma internacional, mas seus próprios integrantes estão divididos diante da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.

Isso deveria servir de advertência.

Nem o Ocidente é um bloco perfeito, nem o chamado Sul Global é um bloco de virtudes.

Há democracias e regimes autoritários de ambos os lados. Há interesses econômicos, militares e estratégicos de todos os lados.

O Brasil precisa ter inteligência suficiente para conversar com todos.

Não é sensato comprar briga com quem pode comprar nossos produtos, fornecer tecnologia, investir em nossa economia ou participar de nossa segurança energética. Também não é inteligente romper pontes com países que são importantes para nosso comércio.

Diplomacia não é torcida organizada.
Enquanto as grandes potências disputam poder, o Brasil deveria estar disputando prosperidade.

Enquanto outros países aumentam seus arsenais, deveríamos aumentar nossa produtividade.

Enquanto eles discutem hegemonia, deveríamos discutir educação, infraestrutura, indústria, segurança, tecnologia e competitividade.

Porque existe uma terrível ironia na história: um país pode estar militarmente distante de uma guerra e economicamente dentro dela.

Uma explosão no Oriente Médio pode aumentar o preço do diesel no Brasil. Um bloqueio marítimo pode encarecer o fertilizante. Uma crise cambial pode aumentar a inflação. Uma recessão mundial pode reduzir nossas exportações. E uma sucessão de erros internos pode transformar uma crise externa em desastre doméstico.

O Brasil não precisa escolher entre Estados Unidos e China.
Precisa escolher entre desenvolvimento e atraso.
Não precisa escolher entre Oriente e Ocidente.
Precisa escolher entre interesse nacional e ideologia.
Não precisa participar das guerras dos outros.

Precisa evitar que as guerras dos outros destruam aquilo que ainda estamos tentando construir dentro de casa.

O mundo está perigosamente polarizado. As grandes potências testam seus limites, os pequenos países procuram proteção e as populações começam a pagar uma conta que não decidiram.

E talvez a pergunta mais importante seja esta:
Quando os grandes países começarem a disputar o poder, quem protegerá os pequenos?

A resposta deveria ser: cada país precisa estar forte o suficiente para proteger seus próprios interesses.

Por isso, o Brasil não pode entrar na contramão da História. Não pode transformar sua política externa em instrumento de uma guerra ideológica que não é sua. Não pode escolher inimigos onde precisa construir mercados.

O país precisa de uma diplomacia adulta: independente, pragmática, respeitada e, sobretudo, brasileira.

Porque se o mundo continuar brincando com fogo, não serão apenas os grandes que sofrerão as consequências.

E quando a fumaça chegar ao Brasil, talvez já seja tarde demais para descobrir que a neutralidade inteligente teria sido muito mais barata do que uma guerra escolhida por paixão.

E olha que, neste ano de eleições, enfrentamos duas “guerras” internas: uma é fazer com que a direita e o centro ganhem as eleições, ponham ordem no país; e a outra, tirar do poder este sacripanta chamado Lula e seus séquitos, ávidos por benesses, enganando os pobres, dando com uma mão e tirando com a outra, tudo em nome da “democracia”.

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Gazeta de Varginha

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