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Vorcaro diz ao STF que proposta de delação mirava pessoas do “núcleo do atual governo”

  • há 57 minutos
  • 2 min de leitura
Foto: PF/Divulgação
Foto: PF/Divulgação

O banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em depoimento prestado ao gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que a colaboração premiada que pretendia apresentar tinha como objetivo denunciar pessoas ligadas ao “núcleo do atual governo”. Apesar disso, ele não mencionou no depoimento a possibilidade de relatar sua relação com outras autoridades políticas nem sua participação no financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Segundo Vorcaro, as relações com pessoas do governo teriam sido estabelecidas como uma forma de se proteger dos ataques que dizia estar sofrendo. Ele afirmou que, durante essas relações, teria presenciado situações nas quais, segundo sua avaliação, foram ultrapassadas “linhas de moralidade” e “linhas de ilicitude”, que pretendia relatar em uma eventual colaboração com as autoridades.

Em outro trecho do depoimento, o banqueiro explicou que sua proposta de colaboração, no que dizia respeito às pessoas que seriam citadas, estava concentrada no núcleo do governo atual. Vorcaro afirmou que havia estabelecido essas relações com o objetivo de se proteger e que pretendia apresentar os episódios que, em sua avaliação, envolviam condutas que ultrapassariam limites de moralidade ou legalidade.

A proposta mencionada por Vorcaro, porém, não incluía referências à sua relação com outras autoridades políticas nem ao financiamento de “Dark Horse”. O filme retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro, e os repasses de recursos ligados ao banqueiro passaram a integrar outro eixo das investigações envolvendo suas relações políticas.

A ausência desses assuntos ganhou destaque porque, nos últimos dias, vieram a público informações sobre novos repasses de Vorcaro para um fundo relacionado à produção do filme. Em setembro de 2025, segundo informações divulgadas anteriormente, o banqueiro transferiu mais de US$ 1,6 milhão ao fundo responsável por administrar recursos da produção.

No depoimento, Vorcaro também apresentou sua intenção de relatar fatos envolvendo integrantes do governo como parte de uma possível colaboração premiada. As declarações foram feitas no gabinete de André Mendonça, relator no STF do processo relacionado ao caso Banco Master.

A Procuradoria-Geral da República, porém, pediu o arquivamento das denúncias apresentadas por Vorcaro e afirmou que ele não havia apresentado provas ou fatos concretos capazes de justificar novas providências investigativas.

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Gazeta de Varginha

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