AGCO registra queda de 83,1% no lucro líquido do terceiro trimestre de 2026
há 42 minutos
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A AGCO, fabricante de máquinas agrícolas responsável pelas marcas Valtra, Fendt e Massey Ferguson, registrou lucro líquido de US$ 51,7 milhões no terceiro trimestre de 2026, uma redução de 83,1% em comparação com os US$ 305,7 milhões obtidos no mesmo período de 2025.
Entre janeiro e setembro deste ano, o lucro líquido da companhia somou US$ 183,9 milhões, queda de 70,8% em relação aos US$ 631 milhões registrados nos nove primeiros meses do ano passado.
A receita líquida da empresa também recuou no terceiro trimestre. As vendas totalizaram aproximadamente US$ 2,3 bilhões entre julho e setembro, redução de 8,6% na comparação anual. No acumulado dos nove primeiros meses de 2026, entretanto, a receita alcançou US$ 7,2 bilhões, crescimento de 0,7% frente ao mesmo intervalo de 2025.
O desempenho ocorre em um cenário de enfraquecimento da demanda global por equipamentos agrícolas, com produtores rurais pressionados por custos elevados, juros altos, restrições de crédito e incertezas econômicas. Esses fatores têm levado agricultores a adiar investimentos na renovação de máquinas e na aquisição de novos equipamentos.
Vendas recuam na América Latina
A América Latina esteve entre as regiões que pressionaram os resultados da fabricante. No terceiro trimestre, a receita líquida regional chegou a US$ 292,3 milhões, queda de 15,4% em relação aos US$ 345,5 milhões registrados um ano antes. Quando são desconsiderados os efeitos cambiais, a retração foi de 19,1%.
Segundo a AGCO, o resultado refletiu principalmente a redução da demanda por máquinas agrícolas. A diminuição das vendas e dos volumes de produção também afetou o desempenho operacional da companhia na região.
No acumulado de janeiro a setembro, a receita latino-americana foi de US$ 775,3 milhões, recuo de 16,8% na comparação anual. Sem os efeitos das variações cambiais, a queda alcançou 22,7%.
O mercado brasileiro também apresentou retração. De acordo com estimativas divulgadas pela empresa, as vendas de tratores no varejo diminuíram 17% nos nove primeiros meses de 2026 em relação ao mesmo período do ano passado. As vendas de colheitadeiras tiveram uma redução ainda maior, de 38%.
A companhia atribuiu o movimento, principalmente, à menor procura por equipamentos de maior porte. Juros elevados, condições restritas de financiamento e a pressão sobre a rentabilidade dos produtores rurais dificultaram a realização de novos investimentos.
Além disso, a incerteza sobre as condições econômicas e as políticas públicas contribuiu para reduzir a confiança dos agricultores. Diante desse cenário, parte dos produtores optou por postergar a compra de máquinas, afetando o volume de negócios do setor.
Demanda global está no nível mais fraco em mais de uma década
O presidente do conselho e CEO da AGCO, Eric Hansotia, afirmou que a indústria mundial de máquinas agrícolas enfrenta o ambiente de demanda mais fraco em mais de dez anos.
Segundo o executivo, os custos elevados dos insumos, as incertezas nos mercados de commodities e as condições do comércio internacional contribuíram para reduzir a disposição dos produtores de investir em equipamentos.
A pressão sobre a renda agrícola também tem influenciado o comportamento dos compradores. Com a rentabilidade comprometida e menos previsibilidade sobre os preços e as condições de comercialização, os agricultores tendem a avaliar com mais cautela a aquisição de máquinas novas.
Para enfrentar o cenário, a AGCO informou que ajustou os volumes de produção à demanda, administrou os estoques das concessionárias e manteve medidas de controle de custos. A estratégia busca evitar o acúmulo de equipamentos sem compradores e preservar a rentabilidade durante o período de retração.
A empresa também pretende manter a produção alinhada às necessidades do mercado ao longo dos próximos meses, com atenção à disciplina de preços e à eficiência operacional.
América do Norte apresenta crescimento nas vendas
Embora os resultados tenham sido pressionados em importantes mercados, a AGCO registrou crescimento na América do Norte. A receita da região aumentou 34,8% no terceiro trimestre, chegando a US$ 485,3 milhões. Desconsiderando os efeitos cambiais, o avanço foi de 35,1%.
O desempenho positivo foi impulsionado pelo aumento dos volumes comercializados em diferentes categorias, especialmente tratores de média e alta potência e peças de reposição.
Apesar do crescimento da receita da fabricante, o mercado norte-americano de máquinas agrícolas também apresentou sinais de enfraquecimento. As vendas de tratores no setor caíram 9% entre janeiro e setembro, enquanto as comercializações de colheitadeiras diminuíram 10% no mesmo intervalo.
Na Europa e no Oriente Médio, a receita da AGCO recuou 19,1% no terceiro trimestre, para aproximadamente US$ 1,31 bilhão. Desconsiderando a variação cambial, a queda foi de 18,1%. Alemanha, França, Itália e Espanha estiveram entre os mercados que registraram as maiores reduções.
Já a região que reúne Ásia, Pacífico e África apresentou crescimento de 13,8%, com receita de US$ 178,8 milhões. Em moeda constante, o avanço foi de 9,2%, impulsionado principalmente pelas vendas na Austrália.
Empresa investe em tecnologia para reduzir custos no campo
Além das medidas de contenção de despesas, a AGCO destacou investimentos em tecnologias voltadas à eficiência das operações agrícolas. Entre as iniciativas estão soluções de agricultura de precisão, sistemas de pulverização direcionada com inteligência artificial e equipamentos autônomos.
Essas tecnologias buscam ajudar os produtores a reduzir custos operacionais, utilizar insumos de maneira mais eficiente e lidar com limitações de mão de obra. A companhia considera que essas soluções podem fortalecer sua posição no mercado mesmo durante períodos de menor demanda por máquinas novas.
A estratégia também envolve o desenvolvimento de equipamentos capazes de melhorar o desempenho das operações e contribuir para a rentabilidade das propriedades rurais.
Projeções para 2026
Para o conjunto de 2026, a AGCO estima que a receita líquida fique entre US$ 9,8 bilhões e US$ 10 bilhões. A margem operacional ajustada deverá ficar em torno de 7%, enquanto o lucro por ação ajustado é projetado em aproximadamente US$ 5,50.
As estimativas refletem a expectativa da empresa para um mercado ainda desafiador, no qual a recuperação das compras de máquinas agrícolas permanece condicionada à evolução da rentabilidade dos produtores, das condições de crédito e das incertezas econômicas.
A fabricante pretende continuar ajustando a produção ao ritmo das vendas e controlando os custos enquanto busca ampliar a oferta de tecnologias que ajudem os agricultores a melhorar seus resultados.
O desempenho dos próximos trimestres dependerá, entre outros fatores, da capacidade de recuperação da demanda por equipamentos e da melhora das condições financeiras no campo. No Brasil, a retração nas vendas de tratores e colheitadeiras evidencia a dificuldade enfrentada pelo setor, especialmente nos segmentos de máquinas de maior porte.
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