top of page
1e9c13_a8a182fe303c43e98ca5270110ea0ff0_mv2.gif

Bunge registra alta de 91,6% no lucro líquido do terceiro trimestre de 2026

há 30 minutos
4 min de leitura
Reprodução
Reprodução
A Bunge, uma das maiores empresas do agronegócio mundial, registrou lucro líquido de US$ 318 milhões no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 91,6% em relação aos US$ 166 milhões obtidos no mesmo período do ano passado. O resultado foi impulsionado principalmente pelo desempenho das operações de processamento e refino de soja e de outras oleaginosas, com destaque para os negócios na América do Norte e na América do Sul.

O lucro líquido ajustado, que desconsidera determinados efeitos extraordinários e diferenças temporais de avaliação de mercado, alcançou US$ 496 milhões, avanço de 10,2% na comparação anual. No terceiro trimestre de 2025, esse indicador havia ficado em US$ 450 milhões.

A receita líquida da companhia também apresentou crescimento. Entre julho e setembro, as vendas somaram US$ 23,8 bilhões, alta de 7,4% frente aos US$ 22,15 bilhões registrados um ano antes.

Já o resultado operacional ajustado, medido pelo EBIT, chegou a US$ 846 milhões, avanço de 11,8% em relação aos US$ 757 milhões do terceiro trimestre de 2025.

No acumulado dos nove primeiros meses de 2026, o lucro líquido da Bunge atingiu US$ 1,064 bilhão, contra US$ 721 milhões no mesmo intervalo do ano passado. A receita líquida acumulada foi de US$ 69,7 bilhões, ante US$ 46,6 bilhões em 2025.

Processamento de soja impulsiona resultados

O principal destaque operacional da companhia foi a divisão de processamento e refino de soja. O EBIT ajustado desse segmento alcançou US$ 565 milhões no terceiro trimestre, em comparação com US$ 478 milhões registrados no mesmo período de 2025.

A melhora foi impulsionada principalmente pelo desempenho das operações na América do Norte. Na América do Sul, Brasil e Argentina também contribuíram para o avanço, com resultados mais fortes no processamento da oleaginosa.

Entretanto, o desempenho positivo dessas atividades foi parcialmente compensado por resultados mais fracos nos negócios de fertilizantes e refino nos dois países.

Apesar da melhora financeira, o volume global de soja processada pela Bunge diminuiu. Foram 11,75 milhões de toneladas no terceiro trimestre, redução de aproximadamente 3,2% em relação às 12,14 milhões de toneladas processadas no mesmo intervalo de 2025.

O resultado demonstra que o crescimento da rentabilidade não dependeu exclusivamente do aumento da quantidade processada. As condições de mercado, as margens das operações e a eficiência das atividades industriais também tiveram influência sobre o desempenho.

América do Norte lidera avanço

A América do Norte foi o principal motor da melhora nos resultados da Bunge. A região apresentou desempenho mais sólido no processamento de soja, embora os ganhos tenham sido parcialmente reduzidos por resultados inferiores nas atividades de refino.

O processamento de outras oleaginosas, como canola e girassol, também contribuiu para o avanço. O volume global dessa divisão passou de 3,13 milhões de toneladas no terceiro trimestre de 2025 para 3,61 milhões de toneladas em 2026.

O EBIT ajustado do segmento de processamento e refino dessas matérias-primas chegou a US$ 329 milhões, crescimento de 19,6% em relação aos US$ 275 milhões registrados um ano antes. A América do Norte respondeu pela maior parte da melhora, enquanto as operações na Argentina tiveram desempenho inferior.

Na Europa, o processamento apresentou resultados positivos. Esse avanço, porém, foi parcialmente compensado pela menor originação de produtos na América do Sul e pelo desempenho mais fraco das operações de processamento na Ásia.

Comercialização de grãos e óleos enfrenta dificuldades

Nem todas as divisões da Bunge acompanharam o crescimento dos negócios de processamento. Os resultados globais da comercialização de óleo de soja ficaram abaixo dos registrados no terceiro trimestre de 2025.

Os menores volumes de processamento na América do Sul e na Ásia foram parcialmente compensados pelo aumento dos volumes na Europa. Nos Estados Unidos, as operações permaneceram em níveis semelhantes aos do ano anterior.

O segmento de comercialização de grãos e moagem também apresentou desempenho mais fraco. O EBIT ajustado da divisão somou US$ 87 milhões, abaixo dos US$ 120 milhões registrados no mesmo período de 2025.

A companhia também enfrentou resultados inferiores nas operações de frete marítimo, açúcar e moagem de trigo, fatores que pressionaram a rentabilidade do segmento.

Além disso, a Bunge contabilizou efeitos relacionados à venda de duas usinas sucroenergéticas brasileiras para a Cofco. A operação gerou perdas de US$ 82 milhões no trimestre, incluindo desvalorização dos ativos e efeitos de operações de proteção financeira.

Esses fatores mostram que, apesar do avanço do lucro consolidado, a empresa continua enfrentando diferenças importantes de desempenho entre suas áreas de atuação.

Integração com a Viterra faz parte da estratégia

A Bunge também destacou o avanço das iniciativas de integração com a Viterra, empresa adquirida no ano anterior. A combinação das operações ampliou a presença global da companhia e fortaleceu sua rede de originação, processamento e comercialização de produtos agrícolas.

A empresa considera que a estrutura mais integrada permite aproveitar oportunidades em diferentes mercados e administrar melhor os riscos em um ambiente marcado por mudanças nos fluxos comerciais, incertezas geopolíticas e alterações nas políticas governamentais.

Em comunicado, o CEO da Bunge, Greg Heckman, afirmou que a companhia apresentou um trimestre forte, resultado de uma execução disciplinada e da estrutura diversificada de seus negócios.

O executivo também destacou o avanço das prioridades de criação de valor, incluindo as sinergias relacionadas à integração com a Viterra e os esforços para colocar em operação grandes investimentos voltados ao crescimento.

Segundo Heckman, a presença internacional da empresa ajudou a aproveitar oportunidades comerciais e administrar riscos em um cenário complexo. O executivo afirmou ainda que os fatores de demanda de longo prazo para os negócios da companhia permanecem sólidos.

Projeções para 2026 são mantidas

Apesar das diferenças de desempenho entre os segmentos, a Bunge manteve sua projeção de lucro ajustado por ação para o ano fiscal de 2026 entre US$ 9,25 e US$ 9,75.

A empresa também informou que os investimentos de capital previstos para o ano deverão ficar próximos do limite superior da faixa estimada anteriormente, que varia de US$ 1,5 bilhão a US$ 1,7 bilhão.

A companhia revisou algumas expectativas por divisão. A projeção para o processamento e refino de soja passou a ser ligeiramente menor, enquanto a estimativa para óleos tropicais e ingredientes especiais também foi reduzida. Em contrapartida, a expectativa para comercialização de grãos e moagem foi elevada.

O resultado do terceiro trimestre reforça a importância das operações de processamento para o desempenho financeiro da Bunge. Mesmo com a redução do volume global de soja processada e dificuldades em algumas áreas, as margens mais favoráveis e os resultados na América do Norte e na América do Sul contribuíram para quase dobrar o lucro líquido em relação ao ano anterior.

Comentários


bottom of page