Colômbia registra 256 cidadãos mortos e 973 desaparecidos na guerra entre Rússia e Ucrânia
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O Ministério das Relações Exteriores da Colômbia informou, nesta quinta-feira (29), que recebeu relatos de 256 cidadãos colombianos mortos e 973 desaparecidos no contexto da guerra entre Rússia e Ucrânia. Os registros foram encaminhados por canais diplomáticos e consulares e ainda estão sujeitos a verificações e atualizações.
Dos 256 falecimentos comunicados, 162 correspondem a informações recebidas da Ucrânia e 94 da Rússia. Entre os desaparecimentos, 676 foram notificados a partir de território ucraniano e 297 a partir da Federação Russa.
Além dos registros de mortes e desaparecimentos, a chancelaria colombiana recebeu 1.927 solicitações de assistência consular relacionadas ao conflito. Desse total, 1.013 estão associadas a casos envolvendo a Rússia e 914 a situações relacionadas à Ucrânia.
Os números foram divulgados pelo governo colombiano em meio à preocupação com a participação de cidadãos do país nas forças envolvidas na guerra. Muitos colombianos, especialmente ex-integrantes das Forças Armadas, são procurados para atuar em conflitos internacionais devido à experiência militar adquirida durante décadas de confrontos internos na Colômbia.
Governo acompanha famílias e cobra medidas de Rússia e Ucrânia
O Ministério das Relações Exteriores afirmou que acompanha os casos comunicados por meio do Vice-Ministério de Assuntos Migratórios, Consulares e Proteção Internacional e de suas representações diplomáticas e consulares.
As equipes mantêm contato com familiares, acompanham as solicitações recebidas e realizam gestões para prestar orientação e assistência aos colombianos envolvidos no conflito.
O vice-ministro de Assuntos Migratórios, Consulares e Proteção Internacional, Pedro Agustín Roa Arboleda, afirmou que a chancelaria continua adotando as medidas diplomáticas e consulares disponíveis para atender às famílias.
O governo também reiterou que não promove, patrocina nem participa do recrutamento de cidadãos colombianos para atuar em conflitos armados internacionais.
Segundo o ministério, foram encaminhadas solicitações formais às autoridades da Rússia e da Ucrânia para que adotem medidas destinadas a impedir a vinculação de colombianos às respectivas forças armadas.
As autoridades colombianas ressaltaram que os números divulgados representam os relatos recebidos até o momento. Portanto, não correspondem necessariamente ao balanço definitivo de vítimas e desaparecidos. A quantidade pode mudar conforme as informações sejam verificadas e novas comunicações cheguem aos canais oficiais.
Colombianos são atraídos por ofertas de trabalho no exterior
A participação de colombianos na guerra também acendeu um alerta sobre mecanismos de recrutamento e ofertas de emprego que podem esconder as condições reais das atividades oferecidas.
A chancelaria pediu que os cidadãos redobrem a atenção diante de propostas de trabalho no exterior, principalmente aquelas relacionadas a serviços militares, segurança ou apoio operacional.
A recomendação é verificar cuidadosamente as condições dos contratos, a natureza das funções e os riscos envolvidos antes de assumir qualquer compromisso. Algumas ofertas podem apresentar oportunidades profissionais e salários elevados sem deixar claro que o trabalho envolve participação direta em operações militares ou exposição ao combate.
A experiência de ex-militares colombianos é um dos fatores que ajudam a explicar o interesse de grupos estrangeiros por esses profissionais. Após deixarem as Forças Armadas, muitos enfrentam dificuldades para encontrar emprego e se reinserir no mercado de trabalho, o que pode aumentar a vulnerabilidade a propostas feitas por redes de recrutamento.
Em março de 2026, o Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre o uso de mercenários estimou que mais de 10 mil colombianos haviam sido recrutados para participar de conflitos armados no exterior, incluindo as guerras na Ucrânia, no Sudão e na República Democrática do Congo.
Limites da assistência consular
A chancelaria colombiana também esclareceu que não possui autoridade para rescindir, modificar ou declarar inválidos contratos particulares firmados por cidadãos com forças armadas estrangeiras.
Eventuais pedidos de encerramento desses acordos precisam seguir as normas e os procedimentos aplicáveis em cada caso. Isso não impede, porém, que o governo ofereça orientação e assistência consular dentro de suas atribuições.
O ministério informou ainda que encaminhou informações à Procuradoria-Geral da Nação para conhecimento e adoção das medidas cabíveis diante de possíveis mecanismos de captação e ofertas de emprego enganosas.
A iniciativa busca contribuir para a apuração de práticas que possam levar cidadãos colombianos a aceitar propostas sem conhecer os riscos e as condições efetivas de atuação em zonas de guerra.
Famílias enfrentam incerteza sobre o paradeiro de parentes
Os 973 registros de desaparecimento representam uma das principais preocupações das autoridades e das famílias colombianas. A maior parte dos casos foi comunicada a partir da Ucrânia, mas quase 300 relatos estão relacionados ao território russo.
A ausência de informações sobre o paradeiro dos cidadãos dificulta o acompanhamento das situações e aumenta a angústia dos familiares, que dependem das comunicações diplomáticas e das informações disponíveis nos dois países.
A chancelaria afirmou que continuará acompanhando os registros e mantendo contato com as famílias. O governo também reforçou o alerta para que os colombianos não aceitem propostas de trabalho no exterior sem avaliar cuidadosamente os riscos, especialmente quando envolvem atividades militares em países afetados por conflitos armados.
O balanço divulgado em 29 de outubro dimensiona o impacto da guerra sobre cidadãos colombianos que foram parar nos dois lados do conflito. Com centenas de mortes comunicadas, quase mil desaparecimentos e milhares de pedidos de assistência, o governo enfrenta o desafio de acompanhar os casos e prestar apoio às famílias em meio às dificuldades de atuação consular em zonas de guerra.
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