Alberta rejeita avanço da separação e vota para continuar fazendo parte do Canadá
há 5 horas
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A província de Alberta, no Canadá, rejeitou a proposta de iniciar o processo para uma possível separação do país. Cerca de três quartos dos eleitores votaram pela permanência no território canadense, enquanto aproximadamente um quarto apoiou a abertura de um procedimento que poderia levar a uma futura consulta vinculante sobre a independência. O resultado foi divulgado na terça-feira (20), após a votação realizada na segunda-feira (19), no horário local.
A decisão representa uma vitória para o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, que vem defendendo a unidade nacional em meio às tensões comerciais e políticas com os Estados Unidos. O presidente norte-americano, Donald Trump, aumentou as tarifas comerciais contra o Canadá e fez ameaças de anexação do país, fatores que contribuíram para fortalecer o sentimento de união entre parte da população canadense.
A consulta não perguntava diretamente se Alberta deveria se tornar independente. Os eleitores precisavam escolher entre manter a província como parte do Canadá ou iniciar o processo legal necessário para realizar um futuro referendo vinculante sobre a separação. Como a opção pela permanência venceu, a proposta de avançar com esse procedimento foi rejeitada.
Carney comemorou o resultado e afirmou que os habitantes de Alberta e os demais canadenses seguirão juntos, com propósito renovado e grandes ambições. O primeiro-ministro, que passou parte significativa da vida na província, havia feito campanha contra a separação e alertado que a ruptura poderia provocar anos de divisão política e incerteza.
Thomas Lukaszuk, ex-integrante do governo provincial e fundador do movimento pró-unidade Forever Canadian, também celebrou o resultado. Durante um encontro com apoiadores, ele afirmou que a votação enviava uma mensagem aos Estados Unidos de que o Canadá não está à venda. O político defendeu a ideia de um país unido de uma costa à outra.
Por que Alberta discutia a separação
Alberta é uma das principais regiões produtoras de petróleo do Canadá e possui uma economia fortemente ligada aos combustíveis fósseis. O movimento separatista argumenta que a riqueza energética da província beneficia outras partes do país de forma desproporcional, enquanto os interesses locais seriam pouco representados pelo governo federal, sediado em Ottawa.
Os defensores da independência também criticam as políticas ambientais canadenses, que consideram prejudiciais à indústria de petróleo e gás, e afirmam que as posições conservadoras predominantes em Alberta frequentemente perdem espaço diante de províncias orientais mais liberais.
Apesar de existir há anos, o separatismo permanecia uma corrente minoritária. O movimento ganhou força depois da vitória do Partido Liberal de Carney nas eleições federais de 2025, em um período marcado pela disputa comercial com os Estados Unidos e pelo aumento das tensões entre os governos canadense e norte-americano.
Em maio, a premiê de Alberta, Danielle Smith, anunciou a realização da consulta após uma campanha de grupos separatistas que defendiam uma votação sobre o futuro da província. Smith, porém, declarou apoio à permanência no Canadá e afirmou ter votado contra o avanço do processo de separação durante a votação antecipada.
Aproximação com aliados de Trump
A campanha separatista também chamou atenção pela tentativa de buscar apoio nos Estados Unidos. Nos últimos dois anos, representantes do movimento viajaram a Washington para se reunir com autoridades norte-americanas e discutir a possibilidade de apoio à independência de Alberta.
As reuniões provocaram críticas de políticos canadenses, que questionaram a iniciativa de procurar ajuda estrangeira para uma questão relacionada à integridade territorial do país. Também surgiram preocupações sobre possível interferência externa depois de relatos de que operadores republicanos teriam auxiliado lideranças separatistas em sua campanha.
O movimento apresenta afinidades com setores ligados a Trump. Em eventos separatistas, alguns participantes utilizaram bonés com a frase “Make Alberta Great Again”, em referência ao slogan político do presidente norte-americano. Uma parcela dos defensores da separação chegou a sugerir que Alberta deixasse o Canadá para se tornar o 51º estado dos Estados Unidos.
Na semana anterior à votação, Elon Musk, aliado de Trump, também defendeu que Alberta e as províncias canadenses de Saskatchewan e Quebec se separassem do país. Em uma publicação na plataforma X, o empresário afirmou que as regiões estariam em melhor situação fora do Canadá.
Carney respondeu às tensões defendendo a unidade nacional. Em discurso realizado em Calgary na semana passada, reconheceu que parte dos habitantes de Alberta tem frustrações legítimas, mas argumentou que a separação aumentaria a divisão e a incerteza. O primeiro-ministro também alertou que forças externas poderiam tentar enfraquecer o Canadá para exercer maior influência sobre o país.
Um resultado com significado histórico
A votação foi a primeira consulta desse tipo em Alberta e reacendeu comparações com os referendos separatistas realizados por Quebec, província de maioria francófona. Em 1980 e 1995, os eleitores quebequenses também rejeitaram a separação do Canadá. A votação de 1995 terminou com uma diferença especialmente pequena entre os dois lados.
O resultado em Alberta representa um revés para os grupos separatistas, mas não elimina as insatisfações com o governo federal nem as divergências sobre políticas econômicas, ambientais e territoriais. A votação mostrou que o movimento conseguiu mobilizar uma parcela expressiva do eleitorado, embora a maioria tenha optado por manter a província no país.
O processo de independência, mesmo se tivesse recebido apoio majoritário, não significaria uma separação imediata. A legislação canadense não permite que uma província deixe unilateralmente a federação: uma eventual secessão exigiria negociações e uma emenda constitucional. Povos indígenas também contestam a possibilidade de independência, argumentando que seus tratados territoriais com o Canadá antecedem a entrada de Alberta na Confederação.
Com a rejeição da proposta, Alberta continuará fazendo parte do Canadá, enquanto as tensões entre defensores da autonomia provincial e o governo federal devem permanecer no centro do debate político.
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