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Dissidente afirmou que líder teria morrido em Pequim; fotos mostram visita a exposição; inteligência da Coreia do Sul não confirma; incerteza sobre sucessão alimenta especulações

há 3 horas
2 min de leitura

Reprodução
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A imprensa estatal da Coreia do Norte divulgou fotografias do líder Kim Jong-un ao lado da filha, Kim Ju-ae, em um evento público, horas depois que um rumor sobre a morte do ditador se espalhou pela internet. As imagens mostram Kim de 42 anos inspecionando o que foi descrito como uma exposição de roupas e calçados, acompanhado da filha e de autoridades. O boato havia sido iniciado por Wanjun Xie, um dissidente chinês radicado nos Estados Unidos que afirmou, sem apresentar provas, que o líder norte-coreano sofrera hemorragia cerebral, fora levado em coma para Pequim e ali falecera. Xie já havia difundido alegações não confirmadas anteriormente, incluindo especulações sobre a morte do presidente da China, Xi Jinping.

Este tipo de rumor tornou-se quase rotineiro em razão do isolamento do país. A Coreia do Norte é considerada um dos Estados mais fechados do mundo, o que dificulta a verificação de informações e cria terreno fértil para especulações. Autoridades de inteligência da Coreia do Sul declararam não ter recebido qualquer confirmação dos fatos alegados. Não houve reforço de segurança na fronteira com a China, nem aumento de atividade em missões diplomáticas, nem sinal de movimentação que sugerisse instabilidade. O episódio repete padrão de 2020, quando um desertor afirmou ter "99% de certeza" de que Kim havia morrido após cirurgia — e o líder reapareceu publicamente em seguida.

A persistência dos boatos está ligada à incerteza sobre a sucessão. A família Kim governa há três gerações, mas o que virá depois de Kim Jong-un é menos definido do que nas transições anteriores. Seu avô, Kim Il-sung, preparou o filho durante décadas. O pai, Kim Jong-il, promoveu o sucessor às pressas após sofrer AVC em 2008. Já Kim Jong-un vem aparecendo cada vez mais em eventos públicos ao lado da filha, Kim Ju-ae, que passou a acompanhá-lo em cerimônias desde 2022. A inteligência sul-coreana acredita que ele esteja preparando a menina — hoje com cerca de 13 anos — para assumir, mas a Coreia do Norte nunca foi liderada por uma mulher, e a pouca idade da possível herdeira gera insegurança interna.

Há também um segundo motivo que torna os rumores plausíveis: o próprio estado de saúde de Kim. Ele é acima do peso e fumante inveterado, fatores que o colocam em risco de doenças cardiovasculares — problemas que já atingiram membros da família. Caso houvesse morte súbita, a instabilidade poderia afetar o controle de armas nucleares, provocar fluxo de refugiados e pressionar a fronteira com a China. Além disso, o próprio regime é suspeito de alimentar propositalmente a confusão, mantendo o mundo externo incerto sobre o que realmente ocorre dentro do país. Nesse contexto, qualquer alegação ganha circulação, e fontes sem credibilidade acabam sendo amplificadas.

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