México suspende importação de frango e outros produtos avícolas do Brasil após foco de Newcastle em Santa Catarina
há 49 minutos
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O México suspendeu a importação de carne de frango e de outros produtos de origem avícola provenientes do Brasil após a confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma granja comercial localizada em Nova Itaberaba, no oeste de Santa Catarina. A decisão foi anunciada na segunda-feira (19 de outubro de 2026) pelas autoridades sanitárias mexicanas, com o objetivo de proteger a produção avícola do país.
A medida foi adotada após o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmar a presença do vírus da doença em um estabelecimento de criação comercial de perus para corte. O caso levou à implementação de medidas de controle sanitário no local e provocou restrições ao comércio internacional de produtos avícolas brasileiros.
A suspensão foi determinada pela Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Rural do México (Sader), por meio do Serviço Nacional de Saúde, Inocuidade e Qualidade Agroalimentar (Senasica). Segundo as autoridades mexicanas, o país busca preservar sua condição sanitária, já que não registra a doença de Newcastle em sua produção avícola.
Suspensão abrange carne, ovos férteis e aves vivas
A restrição mexicana não se limita à carne de frango. A medida também abrange miúdos e outros despojos de aves, ovos férteis, pintinhos de até três dias de idade e aves canoras, ornamentais e de rapina destinadas à comercialização. Determinadas aves transportadas como animais de estimação também estão incluídas.
A proibição alcança tanto as importações comerciais quanto produtos de origem avícola transportados por turistas. Para aplicar a medida, o Senasica suspendeu a validade dos requisitos zoossanitários necessários à entrada dos produtos abrangidos pela decisão.
A restrição permanecerá sujeita à avaliação da situação sanitária e ao recebimento de informações sobre as providências adotadas pelas autoridades brasileiras para controlar o foco da doença.
Doença foi identificada em granja no oeste catarinense
O foco foi confirmado em uma propriedade comercial de Nova Itaberaba, município localizado no oeste de Santa Catarina. O estabelecimento possui aproximadamente 6 mil perus de corte, que permaneceram na propriedade e não foram destinados à produção de carne para consumo humano.
Após a confirmação, a granja foi interditada e a movimentação de aves foi suspensa. As medidas de controle incluem a eliminação das aves da propriedade, a limpeza e a desinfecção das instalações, além de outros procedimentos previstos nos protocolos sanitários internacionais.
O Ministério da Agricultura também estabeleceu o monitoramento epidemiológico de propriedades da região. A área de acompanhamento inclui Nova Itaberaba e os municípios vizinhos de Coronel Freitas, Nova Erechim e Águas Frias, abrangendo aproximadamente 133 propriedades rurais.
As equipes técnicas deverão realizar visitas, avaliar clinicamente as aves e coletar amostras para análise laboratorial, com o objetivo de identificar eventuais sinais da doença e verificar a presença do vírus em outros estabelecimentos.
O governo brasileiro também está comunicando a ocorrência aos parceiros comerciais e fornecendo informações sobre as medidas de contenção adotadas.
Brasil é um dos principais fornecedores de frango do México
A decisão mexicana tem relevância comercial porque o Brasil ocupa uma posição importante no abastecimento do mercado de carne de frango do país latino-americano.
Em 2025, o México importou aproximadamente 244,39 mil toneladas de carne de frango brasileira, tornando-se o sétimo maior comprador do produto no período. O volume correspondeu a cerca de 4,73% das exportações brasileiras de carne de frango naquele ano, segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
O Brasil exportou aproximadamente 5,3 milhões de toneladas de carne de frango em 2025 para 153 países, obtendo receita de cerca de US$ 9,8 bilhões com as vendas externas. O volume exportado representou 34,82% da produção nacional do produto.
A suspensão mexicana, portanto, acrescenta uma restrição comercial a um setor de grande importância para o agronegócio brasileiro. A duração do bloqueio e as condições para a retomada das importações dependerão da evolução do quadro sanitário e da avaliação das autoridades mexicanas.
China também restringe parte das compras
Além do México, a confirmação do foco em Santa Catarina provocou medidas relacionadas às exportações para a China. Nesse caso, a restrição foi limitada às compras de carne de aves provenientes do estado catarinense, após negociações conduzidas pelo governo brasileiro.
O Ministério da Agricultura informou que a atuação diplomática e sanitária permitiu evitar, naquele momento, a suspensão das importações chinesas de produtos avícolas de todo o território nacional.
A China está entre os principais destinos da carne de frango brasileira, e o alcance de eventuais restrições é acompanhado de perto pelo setor exportador. Os protocolos sanitários estabelecidos entre os países influenciam a abrangência dos bloqueios, que podem atingir apenas a região afetada ou se estender a outras áreas, conforme a avaliação de cada mercado.
Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal, explicou que a China costuma definir a extensão das restrições após avaliar as informações sobre o foco da doença e as medidas adotadas pelo Brasil.
Consumo de produtos inspecionados não representa risco à saúde humana
A doença de Newcastle é uma infecção viral altamente contagiosa entre aves domésticas e silvestres. Ela pode provocar problemas respiratórios, alterações neurológicas, diarreia, redução na produção de ovos e elevada mortalidade nos animais afetados.
Apesar dos impactos sanitários e comerciais, o Ministério da Agricultura esclareceu que o consumo de carne e de outros produtos avícolas submetidos à inspeção sanitária oficial não representa risco à saúde humana.
O principal efeito imediato do caso está relacionado à necessidade de controlar a doença na propriedade afetada e atender às exigências dos parceiros comerciais. A retomada das exportações para os mercados que impuseram restrições dependerá da evolução das ações sanitárias e das decisões das autoridades responsáveis.
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