Marco Rubio admite possível atraso na entrega de mísseis à Ucrânia e nega decisão política para prejudicar Kiev
há 3 horas
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O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, reconheceu nesta terça-feira (20) que um lote de mísseis interceptadores destinado à Ucrânia pode não ter sido entregue dentro do prazo previsto. Apesar de admitir a possibilidade de atraso no fornecimento, ele negou que exista uma orientação política deliberada do governo norte-americano para prejudicar Kiev em sua guerra contra a Rússia.
Durante uma coletiva de imprensa na Índia, Rubio afirmou que a disponibilidade de interceptadores de mísseis é limitada e que diversos países disputam o acesso a esses equipamentos. Segundo ele, os Estados Unidos também precisam atender às próprias necessidades de defesa e às demandas de seus aliados.
“Não houve nenhuma orientação política deliberada para prejudicar a Ucrânia”, afirmou o secretário, ao rebater as acusações de que Washington estaria retendo armamentos de propósito. Rubio insistiu que não há uma decisão deliberada de negar assistência militar aos ucranianos.
A declaração ocorre em meio ao agravamento das tensões entre os governos dos Estados Unidos e da Ucrânia. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusa Washington de atrasar o envio de mísseis necessários para proteger o país dos ataques russos, mesmo quando parte dos equipamentos já teria sido financiada por aliados europeus.
Segundo relatos divulgados nos últimos dias, o secretário de Defesa norte-americano, Pete Hegseth, ainda não havia autorizado a transferência de um pacote de armamentos adquirido por parceiros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) por meio da iniciativa Lista de Requisitos Prioritários da Ucrânia, conhecida pela sigla em inglês PURL.
O programa permite que países aliados financiem a aquisição de equipamentos militares norte-americanos para atender às necessidades ucranianas. A demora na autorização preocupa Kiev, especialmente pela importância dos interceptadores Patriot para a defesa contra mísseis balísticos russos.
Rubio não confirmou que o lote mencionado já tenha sido definitivamente bloqueado, mas admitiu a possibilidade de que o envio esteja atrasado. Ele explicou que as decisões sobre a distribuição desses armamentos levam em consideração as necessidades dos Estados Unidos, de suas instalações militares e de outros parceiros internacionais.
O secretário também ressaltou que os interceptadores estão entre os equipamentos mais procurados no mercado internacional de defesa. A elevada demanda, segundo ele, dificulta o atendimento simultâneo de todos os países que precisam reforçar seus sistemas de proteção aérea.
Rubio rebate acusações sobre informações de inteligência
Além da questão dos armamentos, Rubio negou que o governo de Donald Trump tenha determinado a interrupção do compartilhamento de informações de inteligência com a Ucrânia. As declarações foram feitas após Zelensky relatar dificuldades no recebimento de alertas antecipados sobre ataques russos.
O presidente ucraniano afirmou que, na semana anterior, as forças do país deixaram de receber avisos de parceiros sobre ataques russos com mísseis balísticos em quatro ocasiões. Para Kiev, a ausência dessas informações pode comprometer a capacidade de resposta das defesas aéreas e colocar a população em maior risco.
Rubio classificou como falsas e revoltantes as acusações de que os Estados Unidos estariam negando informações essenciais e, com isso, contribuindo para a morte de ucranianos. Ele afirmou que o presidente Donald Trump não ordenou mudanças no compartilhamento de inteligência.
De acordo com o secretário, os problemas relatados podem ter origem técnica, e não em uma decisão política de Washington. Ele afirmou que a administração norte-americana estava examinando os episódios e sustentou que o fluxo de informações de alerta continuava seguindo os procedimentos habituais.
Zelensky, por sua vez, informou que conversou por telefone durante aproximadamente 45 minutos com Rubio nesta terça-feira. Entre os assuntos discutidos estavam os interceptadores de mísseis balísticos, os alertas antecipados de ataques russos e a situação dos serviços de satélite Starlink e Starshield.
O presidente ucraniano afirmou que os serviços de satélite precisam ser restabelecidos plenamente. Os sistemas são relevantes para as comunicações e para as operações militares ucranianas, incluindo atividades realizadas com drones.
Crise diplomática entre Washington e Kiev
A troca de acusações acontece em um período de deterioração das relações entre Trump e Zelensky. As divergências envolvem o apoio militar norte-americano, o compartilhamento de informações estratégicas e os caminhos para uma possível negociação que encerre a guerra.
As tensões aumentaram após ataques ucranianos contra instalações russas, incluindo refinarias de petróleo, e diante de iniciativas de aproximação entre Washington e Moscou. Também houve relatos de que os Estados Unidos teriam ameaçado suspender o programa PURL para pressionar Kiev a interromper ataques de longo alcance contra a infraestrutura energética russa.
A Ucrânia depende de equipamentos e informações fornecidos por parceiros internacionais para enfrentar os ataques russos. Os sistemas Patriot são especialmente importantes porque podem interceptar determinados mísseis balísticos, além de outras ameaças aéreas.
A escassez desses armamentos tornou-se um problema para Kiev, que precisa proteger cidades e instalações estratégicas de bombardeios frequentes. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos precisam administrar seus próprios estoques e compromissos militares em diferentes regiões.
Rubio afirmou que o fornecimento de armamentos e o compartilhamento de inteligência com a Ucrânia não sofreram mudanças deliberadas determinadas pelo governo Trump. As declarações, porém, não eliminam as preocupações ucranianas com os atrasos relatados nem resolvem o impasse em torno da autorização para a transferência dos interceptadores.
Enquanto Washington nega estar usando a assistência militar como instrumento político contra Kiev, o governo ucraniano continua pressionando por equipamentos e informações considerados essenciais para a defesa do país diante da ofensiva russa.
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