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Sem-teto vive há três anos no pórtico da mansão mais cara de Londres; propriedade de R$ 1,4 bilhão está abandonada

há 4 horas
2 min de leitura

Reprodução
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No bairro de Knightsbridge, um dos mais caros e sofisticados de Londres, próximo ao Palácio de Buckingham, ao Hyde Park e à famosa loja Harrods, uma cena incomum atrai olhares de turistas e moradores: sob o imponente pórtico de uma mansão avaliada em 210 milhões de libras — cerca de R$ 1,4 bilhão —, um homem construiu sua moradia improvisada. Trata-se de Anders Fernstedt, cidadão sueco de meia-idade que vive há mais de três anos no espaço de entrada do imóvel, que foi considerado a residência mais valiosa de Londres quando foi vendida, em 2020. A propriedade pertenceu a Hui Ka Yan, fundador do grupo chinês Evergrande, condenado recentemente à prisão perpétua, e nunca foi habitada por ele; está registrada em nome da esposa, cujos bens estão congelados, o que mantém o imóvel num limbo jurídico.

Anders nunca entrou no interior da casa, que possui 45 cômodos, piscina coberta e 116 janelas e hoje apresenta sinais de deterioração. Ele instalou seu abrigo justamente no pórtico protegido por grandes colunas, onde dispõe colchões, roupas de cama, um guarda-sol gigante, plantas, brinquedos e objetos que foram recebidos ao longo do tempo. "Não tenho uma noite de sono ruim desde que me entendo por gente. E isso vale para as quatro estações", declarou. Ele descreve o espaço como se acampasse na varanda de uma casa imaginária, onde seus pais o autorizaram a ficar. A rotina inclui buscar alimentos que não foram vendidos em padarias e cafés vizinhos, tomar banho e conseguir roupas numa instituição de caridade próxima e manter o ambiente arrumado.

A trajetória que o levou até ali começou na Suécia, onde foi criado pela mãe. Trabalhou com tecnologia nos Estados Unidos e depois como jornalista e verificador de fatos no Reino Unido, em veículos como a revista The Economist. Com a pandemia de covid-19, as oportunidades escassearam e suas reservas diminuíram até desaparecer. Passou a viver em barracas e acomodações precárias, onde presenciou violência e dependências entre outros moradores de rua, até encontrar o pórtico que hoje chama de lar. "Talvez, neste mundo contemporâneo, o aspecto mais curioso do meu estilo de vida seja o fato de eu viver completamente à margem do dinheiro", observou.

A presença dele transformou-se em ponto de convívio com a comunidade: muitos vizinhos o veem como proteção contra vândalos e invasores, e oferecem comida, roupas — inclusive paletós italianos — e conversa. Ele diz ter escolhido agradar especialmente às crianças do bairro, espalhando brinquedos, pois "se elas defenderem minha causa à mesa de jantar, minhas chances melhoram". A realidade de Anders contrasta com dados oficiais: estima-se que mais de 200 mil pessoas vivam em situação de rua em Londres; só no último levantamento, 4.392 foram registradas dormindo nas ruas — alta de 4% em um ano e de 58% em uma década. Há 105 mil imóveis vazios na capital, e o novo primeiro-ministro prometeu oferecer moradia a todos que dormem nas ruas até o Natal.

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