Alcolumbre decide não receber Jorge Messias e pode influenciar votação de indicação ao STF
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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, decidiu não receber o indicado ao Supremo Tribunal Federal, Jorge Messias, em meio à tramitação da indicação feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão foi tomada para manter uma postura de neutralidade no processo, segundo interlocutores.
Nos bastidores, aliados avaliam que um eventual encontro entre Alcolumbre e Messias poderia ser interpretado como sinal de apoio à indicação. A sabatina do indicado está prevista para ocorrer nesta quarta-feira (29), marcando uma etapa decisiva no Senado.
O governo trabalha com um cenário considerado apertado para a aprovação. A contagem atual indica cerca de 25 senadores favoráveis, 35 contrários e 21 indecisos. Entre esses últimos, de 12 a 15 parlamentares fazem parte do grupo mais próximo de Alcolumbre e aguardam um posicionamento do presidente do Senado.
Apesar de declarar publicamente que não atua nem a favor nem contra a indicação, Alcolumbre tem lembrado interlocutores de que já havia alertado Lula sobre a resistência ao nome de Messias no Senado. A expectativa é que ele sinalize sua posição nos próximos dias, o que pode influenciar diretamente o voto de senadores do chamado centrão.
O cenário político se deteriorou para o indicado ao longo dos últimos dias. A projeção de apoio, que antes era de pelo menos 46 votos favoráveis, caiu para cerca de 44, segundo aliados do presidente do Senado. A avaliação interna é de que a semana começou de forma negativa, com sinais de insegurança política.
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner, afirmou que Alcolumbre não tem atuado a favor da indicação e defendeu que ele deveria receber Messias. Segundo Wagner, a chancela do presidente do Senado poderia ajudar na articulação de votos, embora não haja indicação de atuação direta contra o indicado.
Para tentar reverter o cenário, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, passou a negociar a liberação de emendas parlamentares. O governo empenhou cerca de R$ 12 bilhões em abril, mas enfrenta resistência de senadores, que demonstram desconfiança após promessas semelhantes não terem sido integralmente cumpridas em votações anteriores.
Diante desse contexto, parlamentares afirmam que só aceitariam acordos com o aval de Alcolumbre, visto como um garantidor político do cumprimento dos compromissos. Sua posição, portanto, é considerada determinante para o desfecho da indicação ao STF.
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