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Após mais de 50 anos, obras sacras furtadas retornam ao Santuário de Santa Rita de Cássia em Ritápolis

  • há 1 dia
  • 3 min de leitura
Após mais de 50 anos, obras sacras furtadas retornam ao Santuário de Santa Rita de Cássia em Ritápolis
Divulgação/Duas pinturas retiradas do Santuário de Santa Rita de Cássia na década de 1970 foram devolvidas à comunidade de Ritápolis graças à atuação do Ministério Público de Minas Gerais. A restituição integra a Campanha Boa Fé, voltada à recuperação do patrimônio cultural mineiro.
Duas importantes obras sacras que haviam sido retiradas do Santuário Diocesano de Santa Rita de Cássia, em Ritápolis, no Campo das Vertentes, durante a década de 1970, retornaram ao seu local de origem nesta quinta-feira (16). A devolução foi viabilizada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio da Coordenadoria das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico (CPPC), dentro das ações da Campanha Boa Fé.

Conhecidas popularmente como "Duas Telas de Doutores", as pinturas integravam originalmente o forro da Capela-Mor do santuário. Após serem retiradas, foram divididas em duas peças independentes, emolduradas e colocadas em circulação no mercado de antiguidades.

Segundo o MPMG, as investigações começaram após uma denúncia recebida em abril deste ano, informando que as obras estavam sendo oferecidas para venda por um antiquário em um evento realizado na cidade de São Paulo. Técnicos da CPPC compararam fotografias das peças anunciadas com registros históricos do santuário e constataram forte compatibilidade entre elas.

Diante da constatação, o Ministério Público expediu recomendação para que fossem retiradas as publicações de comercialização, solicitou a entrega imediata das obras e requisitou informações sobre sua procedência.

Durante reunião com representantes do antiquário, os atuais detentores manifestaram interesse em aderir à Campanha Boa Fé, concordando em doar voluntariamente as pinturas para que elas fossem reintegradas ao patrimônio do santuário.

Após a entrega das obras, o setor técnico da CPPC realizou inspeções, medições e registros fotográficos. Em seguida, representantes da comunidade religiosa e moradores de Ritápolis participaram do reconhecimento oficial das peças antes da cerimônia de devolução.

Patrimônio recuperado
O coordenador da CPPC, promotor de Justiça Marcelo Azevedo Maffra, destacou que o trabalho de recuperação de bens culturais foi ampliado a partir de 2021 com a criação do sistema Sondar, desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Segundo ele, a plataforma já reúne mais de 3 mil bens culturais cadastrados, enquanto cerca de 700 objetos sacros permanecem desaparecidos de igrejas históricas mineiras.

"O Sondar funciona como um importante canal de comunicação entre a sociedade e o poder público, permitindo receber informações sobre o paradeiro desses objetos e acelerar sua recuperação", destacou o promotor.

Ele ressaltou ainda que os bens desaparecidos vão desde pequenas imagens religiosas até elementos arquitetônicos, como portas, janelas e forros de igrejas históricas.

Emoção da comunidade
A devolução emocionou moradores e fiéis da cidade. O pároco do santuário, padre Geraldo Sérgio França, afirmou que o retorno das pinturas representa um momento histórico para a comunidade.

Segundo ele, durante décadas os moradores conviveram com a lembrança das diversas peças desaparecidas da igreja e, pela primeira vez, puderam celebrar o retorno de um bem cultural ao templo.

A aposentada Sônia Resende do Amaral, de 77 anos, conhecida como Tia Sônia, também participou do reconhecimento das obras. Ela contou que se lembrava perfeitamente das pinturas desde a infância e classificou o retorno como uma grande alegria para toda a comunidade.

Obra de grande valor histórico
As pinturas pertenciam ao forro da Capela-Mor do santuário, cuja decoração é atribuída ao artista Joaquim José da Natividade, importante pintor do período colonial mineiro.

A composição original retrata, no medalhão central, a estigmatização de Santa Rita de Cássia, cercada por anjos e querubins, enquanto quatro Doutores da Igreja observam a cena em púlpitos. As telas devolvidas representam justamente dois desses santos: Santo Agostinho e São Jerônimo.

O Santuário Diocesano de Santa Rita de Cássia integra o conjunto histórico de Ritápolis, tombado pelo município desde 2004 com nível de proteção rigoroso, além de estar inventariado pelo patrimônio cultural local.

Campanha Boa Fé
Criada pelo Ministério Público de Minas Gerais, a Campanha Boa Fé incentiva pessoas físicas e jurídicas que possuam bens culturais de interesse coletivo a devolvê-los voluntariamente aos seus locais de origem. A iniciativa busca evitar processos judiciais e agilizar a recuperação do patrimônio histórico, promovendo a preservação da memória cultural de Minas Gerais e fortalecendo a parceria entre instituições públicas e a sociedade.
Fonte: MPMG

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Gazeta de Varginha

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