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Ataque com drones ao mercado de Abyei deixa pelo menos 153 mortos; Sudão do Sul acusa Sudão e convoca diplomata

há 6 horas
2 min de leitura

Reprodução
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Mais de 150 pessoas morreram após um ataque com drones atingir um mercado na região disputada de Abyei, no limite entre o Sudão e o Sudão do Sul, na segunda-feira (19). O número de vítimas fatais subiu de 73 para 153 e pode crescer ainda mais, conforme confirmou Yohana Akol Ngor, ministro interino da Informação em Abyei. "O fogo ainda está aceso. Por isso, o processo de resgate dos corpos continua. A situação é terrível", declarou à Reuters. O responsável pelo ataque teria sido o Exército do Sudão, segundo a acusação do governo do Sudão do Sul, que não apresentou provas concretas. As Forças Armadas do Sudão não responderam aos pedidos de comentário.

Uma testemunha que estava no local relatou ter ouvido cinco grandes explosões, que provocaram a ignição de um depósito de combustível no próprio mercado. "As pessoas começaram a retirar as vítimas. Elas apresentavam ferimentos causados por estilhaços no abdômen e nas pernas", contou, pedindo anonimato por segurança. O mesmo depoente afirmou não ter visto combatentes uniformizados no local, onde também são comercializados alimentos como açúcar, farinha e biscoitos destinados ao envio para o Sudão. Vídeos verificados pela agência de notícias mostram veículos e edifícios carbonizados, com chamas ainda visíveis no dia seguinte ao bombardeio.

Cerca de 8 mil pessoas foram obrigadas a deixar suas residências em consequência dos ataques, segundo o governo de Abyei. O Ministério das Relações Exteriores do Sudão do Sul convocou o embaixador sudanês para apresentar formal protesto. A Organização das Nações Unidas condenou veementemente a ofensiva: "Continuamos alarmados com os ataques incessantes com drones por todo o Sudão, bem como com os danos que eles estão causando a infraestruturas críticas — esses ataques têm um impacto devastador sobre comunidades que já enfrentam as consequências de mais de três anos de conflito", afirmou o porta-voz da ONU, Stephane Dujarric.

A região de Abyei é território reivindicado por ambos os países desde a independência do Sudão do Sul, em 2011, e é rica em reservas de petróleo. O conflito interno no Sudão, iniciado em abril de 2023 entre as Forças Armadas e o grupo paramilitar Forças de Apoio Rápido (RSF), transbordou para áreas de fronteira e ampliou a instabilidade na zona. Fontes diplomáticas indicam que o mercado atingido seria usado pelas RSF para abastecimento — alegação negada por autoridades de Abyei. A Força de Segurança da ONU já havia alertado em maio sobre o aumento da presença de grupos armados na região e o risco à população civil enquanto o status definitivo de Abyei não for definido.

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