‘Braille zero’: mais de 45 mil alunos com deficiência visual começam ano letivo sem livros didáticos em acessibilidade no Brasil
gazetadevarginhasi
há 5 horas
2 min de leitura
Reprodução
Mais de 45 mil estudantes com deficiência visual — incluindo alunos cegos ou com baixa visão — começaram o ano letivo de 2026 sem ter acesso aos **livros didáticos em Braille, conforme denúncia da Associação Brasileira da Indústria, Comércio e Serviços de Tecnologia Assistiva (Abridef), que representa o setor produtor desse tipo de material adaptado. Os materiais em Braille são considerados essenciais para a alfabetização e acompanhamento escolar deste público, tanto nas turmas regulares quanto na Educação de Jovens e Adultos (EJA), do ensino fundamental ao médio.
Segundo a Abridef, esta é **a primeira vez desde a criação do Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), há cerca de quatro décadas, que não há cronograma oficial nem garantia orçamentária específica para a produção e distribuição de livros acessíveis em Braille para o início do ano letivo. A associação aponta que a ausência de planejamento e de mecanismos definidos para o atendimento dessa demanda representa um “Braille zero”, deixando estes alunos sem acesso a um dos recursos pedagógicos fundamentais após retornarem às aulas.
A Abridef enfatiza que os livros adaptados em Braille são indispensáveis não apenas para a leitura e estudo, mas também para assegurar igualdade de condições educacionais a estudantes com deficiência visual, que dependem desse recurso para participar integralmente das atividades escolares.
Procurado para comentar a situação, o Ministério da Educação (MEC) declarou que o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) “possui contratos vigentes que asseguram o atendimento” a esses alunos, mas não respondeu diretamente sobre a entrega de novos materiais em Braille para o ano letivo de 2026, nem sobre a ausência de um cronograma oficial de produção e distribuição.
A situação também foi reiterada pelo Instituto Benjamin Constant, órgão federal vinculado ao MEC que atua na oferta de educação especializada para pessoas com deficiência visual e é pioneiro na produção de material didático acessível na América Latina, cujo diretor-geral informou que 2026 será um ano com “Braille zero” nas escolas brasileiras, conforme informações recebidas do FNDE.
A falta de livros didáticos em Braille na retomada das aulas levanta alertas de entidades do setor e especialistas em educação inclusiva sobre os impactos pedagógicos e cognitivos que essa lacuna pode causar, especialmente em níveis considerados críticos para a alfabetização e continuidade do processo ensino-aprendizagem desse grupo de estudantes.