Brasil registra 35 denúncias de assédio eleitoral por dia e casos aumentam mais de 700% em relação a 2022
há 6 horas
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Foto: Antonio Augusto/Secom/TSE – Wikimedia Commons
O Brasil registrou uma média de 35 denúncias de assédio eleitoral no ambiente de trabalho por dia durante o mês de outubro. De acordo com dados do Ministério Público do Trabalho (MPT), até o último dia 19 já haviam sido contabilizados 663 registros de possíveis irregularidades envolvendo pressões políticas sobre trabalhadores.
O levantamento revela um crescimento expressivo das denúncias durante o período eleitoral de 2026, especialmente nas semanas que antecedem a votação do segundo turno para a Presidência da República.
Em setembro, o MPT havia recebido 553 denúncias de assédio eleitoral, contra 68 registros no mesmo mês das eleições de 2022. A diferença representa um aumento de aproximadamente 713% em quatro anos.
Apesar da elevação, o Ministério Público ressalta que o crescimento das denúncias não significa necessariamente que os episódios de assédio estejam ocorrendo na mesma proporção. A maior conscientização da população sobre seus direitos e a ampliação dos canais de atendimento também contribuem para o aumento das notificações.
A prática é considerada uma violação da liberdade de escolha política dos trabalhadores e pode resultar em responsabilização dos envolvidos.
Ameaças de demissão e pressões políticas estão entre as irregularidades
O assédio eleitoral no ambiente de trabalho ocorre quando empregadores, superiores hierárquicos ou outras pessoas utilizam relações profissionais para constranger, intimidar ou pressionar funcionários em relação às suas escolhas políticas.
Entre as situações que podem caracterizar a prática estão ameaças de demissão, rebaixamento de função, redução salarial, retirada de benefícios ou promessas de vantagens condicionadas ao apoio a determinados candidatos.
Também podem ser investigadas situações envolvendo a imposição de participação em manifestações políticas, distribuição obrigatória de materiais de campanha e utilização do ambiente profissional para constranger empregados a declarar suas preferências eleitorais.
Segundo o Ministério Público do Trabalho, as principais vítimas são funcionários da iniciativa privada, especialmente aqueles com menor renda e maior dependência econômica do emprego.
A vulnerabilidade financeira pode dificultar a resistência às pressões e aumentar o receio de sofrer represálias caso o trabalhador não concorde com as orientações políticas de seus superiores.
No serviço público, servidores ocupantes de cargos comissionados também estão entre os grupos considerados vulneráveis, devido à possibilidade de exoneração e à relação de confiança existente com os gestores.
A legislação brasileira assegura a liberdade de consciência, de manifestação política e de voto, direitos que não podem ser restringidos por imposições decorrentes de relações profissionais.
Minas Gerais já esteve entre os estados com mais denúncias
O problema também possui histórico relevante em Minas Gerais. Nas eleições presidenciais de 2022, o estado liderou o número de denúncias de assédio eleitoral encaminhadas ao Ministério Público do Trabalho.
Naquele ano, foram registrados 654 relatos de possíveis irregularidades em território mineiro, envolvendo situações de pressão, constrangimento, ameaças e promessas de benefícios relacionadas à escolha eleitoral dos trabalhadores.
Os registros resultaram na abertura de centenas de investigações e na adoção de medidas judiciais para interromper práticas consideradas irregulares.
Em 2026, o MPT voltou a reforçar sua atuação no estado por meio de acordos de cooperação com instituições ligadas à Justiça Eleitoral e à defesa dos direitos trabalhistas.
A iniciativa busca acelerar a identificação de denúncias e permitir respostas mais rápidas diante de situações que possam comprometer a liberdade de voto.
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