ONU condena ataque com drones em Abyei que deixou 153 mortos; vítimas estavam em mercado e número pode crescer
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A Organização das Nações Unidas condenou nesta terça-feira (20) os ataques com drones realizados na região de Abyei e em outras áreas do Sudão, após confirmação de que uma ofensiva contra um mercado deixou pelo menos 153 mortos. O porta-voz da ONU, Stephane Dujarric, declarou que as ações têm "impacto devastador" sobre populações que já convivem com mais de três anos de conflito e pediu a todas as partes envolvidas que respeitem a proteção de civis e de infraestrutura essencial à comunidade. A repúdio internacional acompanha o aumento da tensão numa zona de fronteira disputada entre o Sudão e o Sudão do Sul.
Yohana Akol Ngor, ministro interino da Informação de Abyei, atribuiu a responsabilidade pelo ataque às forças militares do Sudão. O bombardeio atingiu um mercado na segunda-feira (19), e os incêndios provocados ainda não foram totalmente controlados, o que dificulta a recuperação de corpos e pode elevar ainda mais o número de vítimas fatais. As Forças Armadas do Sudão não responderam prontamente aos pedidos de comentário sobre a acusação. Vídeos verificados pela Reuters mostram edifícios em chamas e vestígios de destruição no local do ataque.
Segundo fontes diplomáticas, o alvo principal do ataque foi um depósito de combustível situado dentro do mercado. O mesmo local teria servido anteriormente para abastecer as Forças de Apoio Rápido (RSF), grupo paramilitar inimigo do governo sudanês. Ainda assim, testemunhas relataram não ter visto combatentes no momento do bombardeio, quando o espaço estava em pleno funcionamento com civis fazendo compras. A organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) informou que está atendendo a mais de 20 pessoas feridas, muitas delas com queimaduras graves provocadas pela explosão e pelo fogo que se espalhou pelas barracas e lojas.
A região de Abyei é rica em petróleo e reivindicada por ambos os países desde a independência do Sudão do Sul, em 2011. O conflito interno no Sudão, iniciado em 2023, transbordou para a área e agravou a instabilidade, com ataques que ameaçam a população civil e dificultam a entrega de ajuda humanitária. A condenação da ONU reforça a preocupação internacional com a escalada de violência e com a segurança de milhares de deslocados que dependem de assistência externa para sobreviver.
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