Brasileira que denunciou Jeffrey Epstein relata viver armada após receber ameaças
9 de jun.
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Reprodução
Marina Lacerda, brasileira que acusa Jeffrey Epstein de abuso sexual, afirmou que passou a dormir com uma arma ao lado da cama após receber ameaças e sofrer episódios de intimidação. Atualmente, ela vive com a filha de 12 anos em um condomínio fechado nos Estados Unidos e diz ter medo de que alguém invada sua residência.
As ameaças começaram em setembro de 2025, quando Marina participou de uma entrevista coletiva em que vítimas pediam a divulgação dos arquivos relacionados ao caso Epstein. Na ocasião, mensagens publicadas na internet diziam que ela deveria ter permanecido em silêncio e faziam referência à possibilidade de que fosse morta.
A situação se intensificou meses depois, quando seu nome apareceu dezenas de vezes em documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Desde então, ela afirma ter sido chamada de mentirosa e prostituta nas redes sociais. A filha da brasileira também passou a enfrentar provocações na escola, onde colegas chegaram a perguntar se ela era filha de Epstein.
Marina declarou que vive em estado permanente de vigilância e afirmou estar paranoica o tempo todo. Para dificultar a identificação de seu endereço, ela adotou medidas para preservar a privacidade, mas ressaltou que não se arrepende de ter tornado público o relato sobre os abusos sofridos.
A Reuters identificou pelo menos 23 mulheres que afirmam ter sido alvo de ameaças, assédio e intimidação após denunciarem Epstein ou terem suas identidades expostas. Segundo Brittany Henderson, advogada que representa ao menos 250 acusadoras do financista, nomes, endereços, telefones, datas de nascimento e fotografias de vítimas apareceram sem ocultação em milhares de registros divulgados pelo Departamento de Justiça.
O governo dos Estados Unidos informou que adotou medidas para proteger informações das vítimas após a divulgação de milhões de páginas de documentos relacionados ao caso e afirmou ter corrigido falhas quando foi notificado. A porta-voz Natalie Baldassarre declarou que nenhuma vítima deveria ser submetida a assédio, ameaças ou intimidação por ter se manifestado.
As divulgações motivaram uma ação coletiva apresentada em março por uma das acusadoras contra o Departamento de Justiça e o Google. O processo sustenta que informações pessoais de sobreviventes foram expostas sem autorização e pede que os dados deixem de ser exibidos, além de indenizações para as vítimas afetadas.
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