Trump aumenta pressão sobre o Irã, mas depende da China para fazer estratégia funcionar
há 57 minutos
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A estratégia do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para aumentar a pressão econômica sobre o Irã enfrenta um obstáculo importante: a China, principal compradora do petróleo iraniano. Sem a participação de Pequim, a ofensiva econômica de Washington pode ter dificuldades para alcançar os resultados esperados.
Na quarta-feira (19), Trump ameaçou impor “enormes consequências econômicas” aos países que continuarem mantendo relações comerciais com o Irã. No dia seguinte, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, reforçou a pressão e pediu que a China se alinhasse à estratégia americana.
A relação entre Pequim e Teerã é especialmente relevante por causa do petróleo. Dados da Vortexa Analytics, citados pela Reuters, indicam que aproximadamente 90% das exportações de petróleo bruto do Irã têm a China como destino.
O cenário já apresenta mudanças no mercado. As ofertas de petróleo iraniano para compradores chineses diminuíram nesta semana, enquanto os preços aumentaram. A redução ocorre em meio ao bloqueio promovido pelos Estados Unidos e às ameaças de novas sanções contra o governo iraniano.
Os embarques de petróleo do Irã também caíram desde meados de julho. Dados da empresa Kpler não registraram, desde então, a passagem de superpetroleiros transportando petróleo bruto iraniano pelo Estreito de Ormuz. O acompanhamento, porém, é dificultado pelo desligamento dos sistemas de localização de algumas embarcações.
O Estreito de Ormuz se tornou um dos principais pontos de tensão. A passagem é estratégica para o transporte de petróleo, e os Estados Unidos pressionam pela reabertura da rota como parte das medidas contra Teerã.
Na quinta-feira (20), Bessent afirmou que Washington pretende anunciar novas sanções contra o Irã na segunda-feira (24). Segundo ele, as medidas serão as mais duras já aplicadas contra o país. A intenção é ampliar a pressão sobre Teerã e contribuir para a reabertura do estreito e o encerramento do conflito.
Para a China, entretanto, a situação representa um dilema. As refinarias independentes chinesas, conhecidas como “teapots”, correspondem a aproximadamente um quinto da capacidade de refino do país e estão entre as principais compradoras do petróleo iraniano sujeito a sanções.
A possibilidade de novas medidas contra empresas e compradores chineses aumenta a preocupação no setor. Dessa forma, a pressão americana pode atingir não apenas a economia iraniana, mas também interesses comerciais de Pequim.
Nesse cenário, a capacidade de Trump de transformar as sanções em uma ferramenta eficaz contra o Irã dependerá em grande parte da postura chinesa. Caso Pequim mantenha a compra do petróleo iraniano, Teerã continuará contando com um dos principais mercados para suas exportações, reduzindo o impacto da estratégia econômica de Washington.
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