Yalda Moaiery desafia repressão no Irã mesmo após condenação de 15 anos
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Fotojornalista iraniana Yalda Moaieri, condenada a 15 anos de prisão por imagens e reportagens • REUTERS / YALDA MOAIERY / SOCIAL MEDIA / WANA
A fotojornalista iraniana Yalda Moaiery foi condenada a 15 anos de prisão por um tribunal do Irã, após ser acusada de realizar atividades consideradas contrárias à segurança nacional. A decisão foi tomada no início de agosto, e ela pretende recorrer.
Moaiery passou mais de duas décadas registrando acontecimentos no Irã e teve fotografias e reportagens publicadas internacionalmente. Entre os episódios documentados por ela estão os recentes protestos contra o governo, o conflito envolvendo os Estados Unidos e uma nova campanha de repressão no país.
Segundo a acusação, a jornalista teria realizado “atividades em prol dos interesses do regime sionista contra a segurança nacional”. Moaiery rejeita a acusação e afirma que seu trabalho jornalístico foi tratado como crime pelas autoridades iranianas.
Mesmo diante da possibilidade de passar anos no sistema prisional do país, a fotojornalista afirmou que pretende continuar registrando os acontecimentos enquanto tiver condições para isso. Ela também criticou o que considera uma estrutura de propaganda do governo.
A jornalista já havia conversado com a CNN em fevereiro, durante uma onda de protestos antigovernamentais que se espalhou por mais de 100 cidades iranianas. Na ocasião, ela relatou que a dimensão das manifestações era diferente de tudo o que havia presenciado em seus 25 anos de carreira.
Moaiery também descreveu o impacto da repressão sobre a população. Segundo ela, o sentimento de esperança entre muitas pessoas havia desaparecido diante da situação vivida no país.
Depois do início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, a fotojornalista voltou a relatar à CNN o que observava dentro do país. Naquele período, apesar das restrições de acesso à internet, ela afirmou que havia iranianos que esperavam que o conflito provocasse mudanças no regime.
Meses depois, porém, Moaiery afirmou que esse sentimento havia mudado. Segundo ela, a preocupação com as condições econômicas passou a ocupar o centro das atenções da população, com dificuldades para conseguir até mesmo itens considerados básicos.
Na avaliação da fotojornalista, a guerra acabou fortalecendo o regime iraniano. Ela afirmou que nunca havia visto uma versão tão rígida do governo durante toda a sua vida.
Enquanto concedia a entrevista mais recente, Moaiery também enfrentava novas ameaças das autoridades. Segundo seu relato, horas antes da conversa com a CNN, agentes iranianos haviam ameaçado invadir sua casa caso ela voltasse a falar com a imprensa internacional.
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