Caravelas-portuguesas provocam mais de 500 queimaduras em um dia na Praia do Cassino, no RS
- gazetadevarginhasi
- há 2 dias
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Na Praia do Cassino, em Rio Grande, no Rio Grande do Sul, um total de 576 queimaduras provocadas por caravelas-portuguesas foi registrado em um único dia, segundo informações divulgadas nesta quarta-feira (4). Os casos foram atendidos por guarda-vidas e equipes de emergência, e dez pessoas tiveram de ser encaminhadas para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Cassino, sendo que nove apresentaram quadro de gravidade moderada, com destaque para uma menina de 12 anos que sofreu queimaduras no tórax.
As caravelas-portuguesas são organismos marinhos pertencentes ao grupo dos cnidários, o mesmo grupo das águas-vivas, e possuem células urticantes que liberam toxinas com potente ação neurotóxica, capazes de afetar o sistema nervoso e a musculatura quando entram em contato com a pele humana. O resultado desse contato são lesões extremamente doloridas, cujas marcas podem persistir por semanas ou até meses.
De acordo com o professor de oceanografia da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), Renato Nagata, a presença desses organismos em grande número na costa gaúcha está relacionada à ação de correntes marítimas e ventos que empurram os animais em direção à praia. Ele explicou que, embora 2026 não seja um ano com incidência especialmente elevada de caravelas na região, o grande número de banhistas presentes durante o feriado contribuiu para o aumento das ocorrências de queimaduras neste dia específico.
Nagata também ressaltou que as caravelas-portuguesas são mais tóxicas que muitas águas-vivas que ocorrem normalmente nas praias, o que aumenta o risco para quem tem contato com esses animais marinhos. Além disso, especialistas apontam que, com as mudanças climáticas em curso, espécies típicas de áreas tropicais podem tornar-se mais frequentes em regiões subtropicais e temperadas, como o Sul do Brasil, potencialmente aumentando a ocorrência de casos semelhantes no futuro.
O que fazer em caso de contato com a pele
As equipes de salva-vidas e autoridades de saúde orientam que as pessoas não toquem nas caravelas, mesmo que os animais estejam encalhados na areia da praia, pois os tentáculos podem continuar a liberar toxinas. Em caso de queimadura, as recomendações incluem:
Não esfregar ou coçar a pele no local da queimadura.
Retirar os tentáculos remanescentes com um objeto rígido (por exemplo, um cartão), tomando cuidado para não tocar diretamente com as mãos.
Aplicar vinagre no local afetado para ajudar a neutralizar a toxina.
Caso a vítima apresente sintomas mais graves, como febre, vômitos ou desmaio, procurar atendimento médico imediatamente.






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