Caso Alice: acusados reconhecem voz em áudio, mas insistem que vítima ‘caiu’
5 de dez. de 2025
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fonte: o tempo
Os dois ex-funcionários do Rei do Pastel, de 20 e 27 anos, indiciados por feminicídio com motivação transfóbica pela morte de Alice Martins Alves, 33, negaram ter agredido a vítima, apesar de reconhecerem a própria voz em áudios obtidos por câmeras de segurança da Savassi, em Belo Horizonte. Nos registros, eles ameaçam: “Você vai pagar o bagulho? (...) Se você chegar ali perto daquela esquina, você vai ver.” Mesmo assim, declararam que Alice teria apenas caído ao tentar subir em uma motocicleta — versão descartada pela Polícia Civil.
Segundo a delegada Iara França, responsável pelo inquérito, os dois investigados repetiram a mesma narrativa, considerada incompatível com as provas coletadas. A polícia reforça que o motociclista ouvido no caso afirmou que Alice buscava ajuda para voltar para casa e não chegou a cair. Exames apontam lesões graves, como nariz quebrado e fraturas em todas as costelas, incompatíveis com qualquer queda simples. “Eles tentam justificar o impossível”, disse a delegada.
Nos depoimentos, os suspeitos negaram transfobia e alegaram que o estabelecimento onde trabalhavam é frequentado por público LGBTQIAPN+. Entretanto, nos áudios analisados, um deles se refere à vítima no masculino e com ofensas, reforçando a motivação transfóbica. A Polícia Civil concluiu que a violência extrema só ocorreu porque Alice era uma mulher trans.
Alice foi espancada em 23 de outubro na avenida do Contorno, esquina com a avenida Getúlio Vargas, e morreu no dia 9 de novembro. Os indiciados seguem em liberdade; os pedidos de prisão ainda aguardam decisão judicial.
O Rei do Pastel afirmou, em nota, que colabora integralmente com a investigação, repudiou qualquer ato discriminatório e manifestou solidariedade à família da vítima.
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