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Caso Moraes: PL aposta em bancada pró-impeachment no Senado, enquanto PT defende continuidade das investigações

  • há 4 minutos
  • 3 min de leitura
Foto:Bruno Peres/Agência Brasil
Foto:Bruno Peres/Agência Brasil


Aliados de Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva, que aparecem à frente nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência, ajustam suas estratégias diante das novas menções ao ministro Alexandre de Moraes em um relatório relacionado ao caso Master. As revelações envolvendo Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro passaram a integrar o discurso da oposição e também começam a repercutir no cenário eleitoral.

Entre os aliados de Flávio Bolsonaro, a avaliação é de que o episódio oferece novos elementos para ampliar as críticas a Moraes e a outros integrantes do Supremo Tribunal Federal. A estratégia do PL é utilizar o debate para defender a eleição, em 2026, de uma bancada de senadores de direita que esteja disposta a apoiar processos de impeachment contra ministros da Corte a partir de 2027.

Flávio e seu grupo político colocam a disputa pelo Senado entre as principais frentes da campanha. A mensagem transmitida aos eleitores é que a eleição de um presidente de direita, isoladamente, não seria suficiente para modificar a relação de forças com o Supremo. Para os aliados do senador, também seria necessário conquistar maioria no Senado Federal.

A abertura de um processo de impeachment contra um ministro do Supremo depende de que o presidente do Senado decida pautar o pedido. Até agora, iniciativas desse tipo não avançaram. Na avaliação dos oposicionistas, uma bancada maior e alinhada à direita poderia elevar a pressão política sobre o comando da Casa e fortalecer o debate sobre os pedidos dentro do Congresso Nacional.

Na terça-feira (1º), parlamentares voltaram a reforçar pedidos de impeachment contra Moraes. Um novo ofício foi acrescentado à fila de solicitações. Paralelamente, Flávio Bolsonaro e aliados passaram a defender também a renúncia de Moraes ao cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal.

Do outro lado, aliados de Lula trabalham para sustentar a posição de que as investigações devem continuar independentemente de quem esteja envolvido. O argumento adotado por integrantes do PT é o de que os inquéritos precisam prosseguir “doa a quem doer”, discurso que também vem sendo utilizado em investigações envolvendo pessoas próximas ao presidente.

Petistas afirmam que Lula mantém a Polícia Federal com autonomia para realizar as apurações. Ao mesmo tempo, o grupo político do presidente pretende usar a retirada do sigilo da ação envolvendo Moraes para pressionar o ministro André Mendonça a adotar medida semelhante em relação ao inquérito que investiga o financiamento do filme “Dark Horse”.

Segundo informações já divulgadas sobre o caso, Flávio Bolsonaro teria enviado um áudio a Vorcaro solicitando recursos para financiar uma cinebiografia sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O episódio passou a integrar a estratégia dos aliados de Lula no debate sobre a necessidade de transparência nas investigações.

No âmbito pessoal, Lula tem recebido orientações para manter distância da disputa entre André Mendonça e Alexandre de Moraes. A avaliação dentro do governo petista é de que o confronto representa uma crise interna do Poder Judiciário e, portanto, não caberia ao presidente da República participar diretamente do embate.

Dirigentes do PT também consideram que Mendonça é relator de investigações que envolvem Fábio Luiz Lula da Silva, conhecido como Lulinha. Por esse motivo, avaliam que não seria adequado que o presidente se posicionasse publicamente contra o magistrado.

Apesar da tentativa de manter distância, integrantes do governo petista avaliam que o episódio deverá inevitavelmente repercutir nas eleições. A leitura é de que as revelações envolvendo Moraes podem fortalecer, durante a disputa eleitoral, a bandeira da oposição de críticas ao Supremo Tribunal Federal.

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Gazeta de Varginha

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