Coelhos robóticos com cheiro e calor ajudam cientistas a encontrar cobras na Flórida
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Reprodução/ Distrito de Gestão de Águas do Sul da Flórida/Robert McCleery/University of Florida
Cientistas estão usando coelhos robóticos para ajudar a localizar pítons-birmanesas invasoras nos Everglades, no sul da Flórida, nos Estados Unidos. A tecnologia foi desenvolvida para imitar características de coelhos reais e facilitar a identificação das cobras em meio à vegetação.
Ao todo, 120 coelhos robóticos foram implantados na região. Os dispositivos possuem movimentos semelhantes aos de animais reais e também são equipados com recursos capazes de reproduzir o cheiro e o calor de um coelho. Eles funcionam com energia solar e contam com monitoramento por câmeras.
A estratégia utiliza os equipamentos como uma espécie de isca. A intenção é fazer com que as pítons se aproximem dos robôs ao identificá-los como possíveis presas. Quando uma cobra ataca, os rastreadores podem ajudar os pesquisadores a localizar o animal e retirá-lo da região antes que ele consiga se reproduzir.
As pítons-birmanesas representam um problema para o ecossistema dos Everglades porque se alimentam de espécies nativas, incluindo mamíferos, aves e répteis. A presença dessas cobras invasoras provoca impactos sobre as espécies que já fazem parte do ambiente natural da região.
A utilização dos robôs também está relacionada a experiências anteriores com coelhos de verdade. Em um estudo realizado em 2015 pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos, pela Comissão de Conservação de Peixes e Vida Selvagem da Flórida e pela Universidade da Flórida, pesquisadores soltaram 95 coelhos-do-brejo adultos em áreas dos Everglades para analisar o impacto das pítons sobre as presas nativas.
Durante os 11 meses seguintes, o estudo apontou que as pítons foram responsáveis por 77% das mortes dos coelhos utilizados na pesquisa. O resultado ajudou a demonstrar o impacto das serpentes invasoras sobre uma das fontes de alimento presentes no ecossistema.
Agora, os pesquisadores buscam utilizar a tecnologia para localizar as cobras sem depender da presença de animais vivos como isca. O sistema permite que os coelhos robóticos reproduzam características capazes de chamar a atenção das pítons enquanto as câmeras acompanham o que acontece ao redor dos equipamentos.
A dificuldade de encontrar as serpentes é um dos principais problemas enfrentados no combate à espécie invasora. As pítons conseguem permanecer escondidas na vegetação dos Everglades, o que torna a localização dos animais uma etapa importante para o controle da população.
Além dos coelhos robóticos, os órgãos e pesquisadores envolvidos no projeto planejam utilizar outras tecnologias e métodos no futuro. Entre as possibilidades estão cães farejadores, drones avançados e tecnologias genéticas para ajudar na localização e na redução das populações de pítons.
As pítons-birmanesas foram observadas pela primeira vez nos Everglades na década de 1970. Segundo a matéria, esses animais chegaram à região por meio do comércio de animais de estimação ou como peças de exibição para colecionadores de espécies exóticas. Com o aumento de solturas acidentais e intencionais, as cobras passaram a ocupar uma posição importante na cadeia alimentar do local.
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