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Coluna Fatos e Versões com Rodrigo Silva Fernandes 10/06/2026

  • 10 de jun.
  • 8 min de leitura
RODRIGO SILVA FERNANDES é advogado e articulista político da Gazeta escreve as quartas e sextas. Email:Rs.fernandes@fiemg.com.br
RODRIGO SILVA FERNANDES é advogado e articulista político da Gazeta escreve as quartas e sextas. Email:Rs.fernandes@fiemg.com.br
Fiscalizar x perseguir
A esperada audiência pública da secretária municipal de Educação Juliana de Paula Mendonça aconteceu na última segunda, dia 08 de junho na Câmara de Varginha. A audiência pública, onde a autoridade pública municipal é convocada a ir, ocorreu por conta de reiteradas reclamações de vereadores sobre a pasta. O Governo municipal era contra a convocação da secretária Juliana de Paula e fez de tudo para impedi-la, tendo sido vencido por fatos negativos verificados pelos vereadores que tem visitado as escolas, principalmente o vereador Cassio Chiodi (Solidariedades), um dos líderes da oposição que vem sendo fortemente perseguida pelo Governo. A base do Executivo esteve toda mobilizada para apoiar Juliana de Paula no desafio de responder os questionamentos dos vereadores, muitos nem se quer puderam ser feitos! Alinda assim. A galeria da Câmara ficou lotada, dezenas de professores, alunos e populares apoiando a apuração de fatos graves na Educação municipal. Casos como parte de uma escola municipal que foi interditada pelo Corpo de Bombeiros por risco de queda, bem como outra escola onde foram encontradas fezes de pombos na caixa de água, ou mesmo uma escola municipal onde o portão principal caiu em cima de uma servidora, entre outros casos, inclusive envolvendo a suspeita e maquiagem dos números e dados apresentados pela Educação municipal. A reunião começou com embate entre a base do prefeito e a oposição, que limitou as perguntas a temas técnicos definidos na convocação, o que é legal, mas pouco útil para tentar provar a ética e eficiência com que o Governo alega tocar a Educação na cidade.

Fiscalizar x perseguir – 02
Vale destacar que diversos secretários municipais, de pastas distintas ao tema que seria tratado, estavam presentes na sessão, onde também compareceram todos os vereadores, presididos pelo presidente da Câmara Alexandre Prado. O prefeito Leonado Ciacci não compareceu a reunião, ele não tem o hábito de ir ao Legislativo, sobretudo depois que a oposição cresceu e se consolidou no Legislativo, embora não tenha maioria. As falas dos vereadores, com críticas ou bajulações à Educação no município foram analisadas e tiveram reações imediatas da população ali presente nas galerias do Legislativo. Hora os muitos professores e servidores da Educação manifestavam aprovação ou desaprovação por palmas e gritos, outro momento os cargos de confiança do Executivo municipal (orientados pelos secretários presentes) manifestavam por palmas à secretária ouvida ou a vereadores da base governista. Curioso destacar que o comportamento do Governo e sua “tropa de choque” atuou diferente com cada um dos vereadores que falaram, principalmente os vereadores da oposição! A vereadora Mônica Cardoso, bem como os vereadores Daniel Farias (Dan dan) ou Bruno Leandro Coletor fizeram questionamentos graves à Educação, com cobranças pela falta de cumprimento de leis, falta de investimentos etc, contudo tiveram respostas lacônicas e não tiveram o mesmo tratamento dado ao autor da convocação da audiência, vereador Cassio Chiodi, que era o “alvo do governo na noite”

Fiscalizar x perseguir – 03
O governo, por meio de vereadora da base, apontou que as perguntas para a secretária de Educação deveriam se limitar apenas aos temas previamente informados na convocação da audiência, deixando de lado outros temas obscuros que envolvem a Educação e mesmo a própria secretária, como o pagamento a Juliana de Paula de altos valores em diárias de viagens e a condução de uma trama política para influir no Legislativo e buscar a cassação dos vereadores Cassio Chiodi e Bruno Leandro, nomes que despontam na oposição. Tais assuntos não foram tratados na audiência, mas já são de domínio público por terem sido trazidos pela imprensa e mesmo pelos envolvidos. Fato é que os dados do próprio governo mostram que foram pagas altas diárias para a secretária Juliana de Paula em viagens diversas, o que contrasta com diferente tratamento a professores ou outros integrantes da Educação. Sem falar que os dados apresentados pela secretária e mostrados no portal da Secretaria de Educação (Seduc) foram confrontados por dados públicos do Governo de Minas e Governo Federal, indicando que em alguns pontos a Educação municipal piorou depois do início da gestão de Juliana de Paula Mendonça. Fato é que os questionamentos e problemas da Educação de Varginha não acabaram depois da audiência pública onde foi ouvida a secretária Juliana de Paula, pelo contrário, os problemas foram apenas desnudados e agora passam para uma outra fase em que o desgaste vai apenas tomar mais forma e corpo, com aumento de atritos internos na pasta e fora dela.

Fiscalizar x perseguir – 04
Outro assunto que não foi abordado, mas também é assunto corrente no meio educacional público municipal é uma carta subscrita por 23 diretoras de escolas municipais, que reclamam das fiscalizações realizadas pelo Legislativo. Segundo apurou a Coluna, muitas das diretoras de escolas que assinaram a carta nem chegaram a ser visitadas por qualquer vereador. Vale ressaltar que o papel do Legislativo é também fiscalizar o Executivo, portanto, verificar se as estruturas públicas municipal de educação, saúde etc estão em pleno funcionamento! Além disso, também cabe dizer que as diretoras das escolas municipais são nomeadas pela própria secretária de Educação para o cargo, que é de confiança dentro da estrutura governamental. Cerca de 10 diretoras não assinaram o documento. A Coluna já tem informação de duas diretoras, que assinaram a referida carta, teriam sido pressionadas a assinar o documento, sob pena de represarias em caso de negativa! Na carta assinada pelas diretoras, é dito que as fiscalizações nas escolas estariam em “desconformidade”. Vários vereadores como David Martins, Ana Rios e Zilda Silva fizeram visitas a escolas neste período, além de outros vereadores como Cassio Chiodi e Daniel Farias (Dan Dan), embora a carta não cite o nome de nenhum dos vereadores que vem visitando as escolas, o chefe do Executivo se baseou na mesma carta para pedir apenas a cassação do vereador Cassio Chiodi, alegando “seus modos heterodoxos de fiscalizar, encontrar problemas e denunciá-los em suas redes sociais”. Fato é que fiscalizar o Executivo e a qualidade da Educação é papel do Legislativo, e se tal fiscalização passou a ser crime (vai que a Constituição mudou e nada foi dito!) caberia as diretoras escolares nominar todos os vereadores que cumprem seu dever de fiscalizar, e o Executivo (insanamente) pedir a cassação de todos, e não apenas daquele que o incomoda!

Fiscalizar x perseguir – 05
Mas a trama descoberta na Secretaria de Educação, envolvendo diretamente a secretária Juliana de Paula Mendonça e algumas diretoras escolares vai mais além! Depois das denúncias apontadas pelo vereador Cassio Chiodi, com gravações e fotos de problemas reconhecidos por outros órgãos e mesmo corrigidos pela Prefeitura, após as denúncias, integrantes de um grupo de whatsapp oficial formado por todas as diretoras escolares municipais e a secretária de Educação Juliana de Paula, passaram a “debater formas de impedir que apenas o vereador Cassio Chiodi voltasse a fiscalizar as escolas”. A trama ocorrida em horário de expediente das diretoras, utilizou inclusive e-mail oficial da prefeitura de Varginha para arrebanhar informações e apoios a fim de construir “dossiê para impedir as fiscalizações e buscar o perseguir vereadores da oposição, levantando inclusive a possibilidade de intervenção direta junto ao comando do Legislativo e seus integrantes”. Vale ressaltar que a secretária Juliana de Paula integra o referido grupo de whatsapp! O documento, assinado por 23 diretoras de escolas municipais, não teve o apoio total da categoria, cerca de 10 outras diretoras não apoiaram o documento inédito. Fato é que não se tem notícia de uma trama oficiosa desta natureza no passado. Porque a secretária Juliana de Paula participou de tal construção? Tal assunto não deveria ser tratado no âmbito da Corregedoria ou mesmo da Procuradoria municipal, se realmente fosse tema oficial de interesse da Educação? Contudo, se não se tratava se assunto formal e oficial, poderia ser tratado “as escondidas num grupo de trabalho, em horário de expediente e utilizando e-mail oficial para isso”? Ademais, se as tais fiscalizações as escolas estariam “incomodando alguém, não deveriam ser nominados todos os fiscalizadores, porque apenas Cassio Chiodi foi alvo do pedido de cassação do Governo”?
Trama e desfecho
Desde o acirramento das relações entre a oposição e o governo no Legislativo, curiosamente, muitas coisas aconteceram, inclusive o pedido de cassação dos vereadores Bruno Leandro Coletor e Cassio Chiodi. Mas não foi só isso, também tivemos mudanças no primeiro escalão do Governo e na estrutura da própria Câmara. Neste período saíram do Governo os ex-secretários de Governo e de Administração Carlos Honório Ottoni Junior (Honorinho) e Roberto Ribeiro. Além disso, saiu da Diretoria Geral da Câmara, indo para a Secretaria Municipal de Governo, Lourival Donizeti de Oliveira. Também, no período de 2026, tivemos o aumento de votos contrários ao Governo por parte do vereador Thúlio Paiva, bem como “desentendimentos que geraram boletins de ocorrência contra vereadores de Varginha, da oposição e da base governista”. Sem falar ocorrências passadas que envolvem até mesmo integrantes da mesa diretora. Nos bastidores, circulam vídeos do prefeito Ciacci, do ex-secretário Honorinho, documentos comprometedores do secretário de Planejamento Ronaldo Lima Junior, sem falar na confissão de duas diretoras de escolas municipais que alegam terem sido pressionadas a assinar carta política elaborada pelo comando da Secretaria de Educação! Sem dúvida Varginha esta se tornando um “barril de pólvora no campo político”! Há registros de conversas intensas de autoridades municipais com gabinetes em Brasília e Belo Horizonte, bem como o levantamento de informações públicas e pessoais sobre integrantes do Governo. Todo este material sendo levado a processos no Ministério Público, no Tribunal de Contas de Minas Gerais e, também, entregues a pessoas da imprensa, inclusive o diretor de um programa dominical muito visto em todo o Brasil! Certamente que o cenário político visto em janeiro de 2026 será bem diferente do que teremos em dezembro de 2026! A conferir!

Atestados médicos falsos são apurados na rede municipal de Saúde
A Prefeitura de Varginha abriu uma investigação para apurar a suposta falsificação de atestados médicos apresentados por um funcionário de uma empresa estabelecida no município. De acordo com informações, o trabalhador entregou quatro documentos que justificariam 14 dias de afastamento. A suspeita de irregularidade surgiu após a própria empresa desconfiar da autenticidade dos papéis e procurar a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) local para verificar a procedência das informações. Ao serem analisados pela unidade de saúde, os atestados levantaram diversos indícios de adulteração. Um dos documentos trazia a assinatura de um médico que nunca trabalhou na UPA de Varginha. Outro profissional que atua na unidade reconheceu o próprio nome no documento, mas negou veementemente ter assinado o atestado. Diante das discrepâncias, a direção da UPA concluiu que há fortes indícios de que o próprio funcionário tenha adulterado os papéis. Os investigadores também identificaram erros grosseiros na grafia do carimbo utilizado com o nome de um dos médicos — um detalhe técnico que, segundo especialistas, costuma ser decisivo na comprovação de falsificação documental. O conjunto das inconsistências reforçou a tese de que os atestados não passam de cópias fraudulentas. A empresa já entregou todos os documentos originais à administração municipal, que instaurou procedimento administrativo para apurar a conduta do empregado. A responsável pelo setor de atendimento da UPA afirmou, em nota, que não há qualquer indício de participação de servidores ou profissionais da unidade no esquema. A investigação segue sob sigilo, e o funcionário poderá responder por falsidade ideológica e estelionato, já que o uso de atestados falsos pode configurar crime contra a fé pública e contra o patrimônio da Previdência. Caso seja comprovada a fraude, o trabalhador poderá ser demitido por justa causa e ainda responder criminalmente. A Prefeitura de Varginha informou que aguarda a conclusão dos levantamentos para tomar as medidas cabíveis. Não é a primeira vez que casos assim ocorrem em Varginha. Ainda não há um sistema informatizado que permita o maior controle de atestados, sobretudo para o setor produtivo que recebe tais documentos e acumula milhões em prejuízos pela falta (remunerada) dos trabalhadores que fraudam este tipo de atestado

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Gazeta de Varginha

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