Há países que tratam suas empresas como patrimônio nacional. Há outros que as tratam apenas como contribuintes. E há o Brasil, que parece ter escolhido uma terceira alternativa: tratar quem produz como suspeito, cobrar como se fosse culpado e burocratizar como se quisesse vê-lo morto.
A empresa brasileira nasce com uma missão simples: produzir, empregar, pagar salários e gerar riqueza.
Mas logo descobre que, antes de produzir, precisa sobreviver a impostos, taxas, encargos, burocracia, fiscalizações, certidões e uma interminável coleção de regras.
E paga para sustentar uma máquina pública que, muitas vezes, não produz riqueza - apenas administra, distribui e consome a riqueza produzida por outros.
O empresário assume o risco. O Estado fica com uma parte do resultado.
Se a empresa cresce, aumenta a arrecadação. Se tem lucro, paga imposto. Se contrata, paga encargos. Se vende, paga imposto. Se compra, paga imposto.
Até respirar parece exigir uma guia de recolhimento.
E quando a empresa não aguenta?
Fecha.
E então desaparecem empregos, salários, fornecedores, investimentos e, ironicamente, também os impostos que o Estado tanto queria arrecadar.
Existe uma lógica que parece difícil de entender em Brasília: empresa não fabrica imposto. Empresa fabrica riqueza. O imposto é consequência.
Quanto mais se asfixia quem produz, menos se produz.
Quanto menos se produz, menos empregos existem.
Quanto menos empregos existem, menor é a arrecadação.
Mas, diante do problema, qual costuma ser a solução?
Cobrar mais.
É a velha história da galinha dos ovos de ouro. Em vez de alimentá-la, alguém resolve cobrar mais ovos.
Até matá-la.
O Brasil precisa parar de enxergar a empresa como uma fonte inesgotável de dinheiro.
Empresa não é caixa eletrônico do Estado.
É patrimônio, investimento, emprego, renda e produção.
O empresário não deveria ser tratado como inimigo.
Deveria ser tratado como aquilo que realmente é: alguém que coloca o próprio dinheiro em risco para produzir aquilo que o Estado precisa arrecadar.
Porque há uma verdade incômoda que nenhum discurso consegue esconder:
quando o Estado mata a empresa, perde também o contribuinte.
E talvez seja exatamente isso que o Brasil ainda não tenha entendido:
não se pode sustentar um Estado cada vez maior asfixiando justamente aqueles que produzem o oxigênio que o mantém vivo.
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