Correios acumulam R$ 3,7 bilhões em atraso de pagamentos a fornecedores, empregados e tributos
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Os Correios deixou de pagar R$ 3,7 bilhões em obrigações financeiras com fornecedores, empregados e tributos federais, segundo documentos internos da estatal. Os atrasos fazem parte de uma política deliberada de postergação de pagamentos adotada pela direção da empresa em meio à crise econômico-financeira que afeta seu desempenho operacional.
De acordo com o levantamento, os R$ 3,7 bilhões de dívidas não quitadas incluem obrigação com o INSS patronal no valor de R$ 1,44 bilhão, montante considerável que corresponde à contribuição previdenciária devida pela empresa; R$ 732 milhões a fornecedores de serviços e insumos; R$ 545 milhões ao plano de saúde Postal Saúde; tributos federais como PIS e Cofins somando R$ 457 milhões; R$ 346 milhões referentes a encargos do programa Remessa Conforme; e R$ 135 milhões devidos ao fundo de pensão Postalis. Essas informações constam nos registros internos e foram compartilhadas com o portal.
A crise financeira tem levado os Correios a adiar deliberadamente pagamentos que venceram, numa tentativa de preservar liquidez diante de um fluxo de caixa negativo, resultado de um cenário em que as receitas caíram e os custos operacionais permaneceram elevados nos últimos períodos, gerando sucessivos trimestres de prejuízo operacional.
Conforme os documentos analisados, nos primeiros nove meses de 2025 a empresa registrou entradas de R$ 16,94 bilhões, mas tinha obrigações previstas de R$ 20,65 bilhões, o que cria um déficit estrutural que compromete a capacidade de honrar compromissos dentro dos prazos originais de vencimento. Caso os pagamentos tivessem sido realizados nas datas previstas, o valor desembolsado teria sido de R$ 19,71 bilhões, e o resultado operacional seria um déficit estimado em R$ 2,77 bilhões, superior à capacidade de cobertura pelos recursos disponíveis.
Entre os efeitos dessa estratégia de postergação estão impactos diretos na segurança financeira de empregados — cujas contribuições a planos de saúde e fundos de pensão não foram integralmente repassadas — e de fornecedores, que aguardam a quitação de serviços prestados. Também há débitos tributários federais em aberto, que acrescem encargos e podem gerar questionamentos por parte das autoridades fiscais.
O documento interno mostra que o montante em atraso já aumentou cerca de R$ 1 bilhão desde o último levantamento do grupo de análise financeira da empresa divulgado em meados de 2025, com destaque para o crescimento dos débitos previdenciários e tributários, que mais que dobraram em comparação a meses anteriores e pressionam ainda mais o orçamento da estatal.
Os Correios justificaram a postergação no pagamento das obrigações como uma medida provisória para preservar recursos em um quadro de fortes pressões financeiras, mas esse tipo de adiantamento de dívidas é visto por analistas e parceiros comerciais como um reflexo de desequilíbrio estrutural que pode comprometer tanto a sustentabilidade da empresa quanto a confiança dos credores em seu equilíbrio financeiro.
A estatal, em contexto de reestruturação financeiro-operacional e negociando apoios e empréstimos para evitar agravamento da situação, enfrenta também a necessidade de tomar decisões estratégicas de longo prazo para corrigir o curso fiscal e operacional, diante de múltiplos anos de desafios e prejuízos consecutivos.
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