Arquivos do caso Epstein mostram que bilionário tinha CPF brasileiro ativo desde 2003
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Documentos relacionados ao caso do financista Jeffrey Epstein, condenado nos Estados Unidos por crimes sexuais e morto em 2019, indicam que ele possuía um Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ativo no Brasil desde 2003, revelou informações de arquivos divulgados recentemente pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos e à Receita Federal do Brasil.
Segundo o levantamento, o CPF de Epstein foi registrado na Receita Federal em 2003 e permanece sem cancelamento formal, o que ocorre porque as autoridades brasileiras não foram oficialmente notificadas sobre o falecimento dele, conforme observado nos documentos consultados.
Os registros constam em meio a uma grande leva de arquivos judiciais e documentos que vieram a público, relacionados às investigações e processos envolvendo Epstein, que inclusive foram tornados públicos pelo Departamento de Justiça em 30 de janeiro de 2026. Esses arquivos — que totalizam milhões de páginas entre textos, anexos e materiais — contêm diversos itens apreendidos pelas autoridades americanas nos desdobramentos dos processos criminais contra ele.
A Receita Federal explicou que estrangeiros podem solicitar CPF no Brasil para diversas finalidades, como abertura de contas bancárias, compra de imóveis ou estudos, de acordo com a Instrução Normativa 2.172/2024. Entretanto, a autarquia não comentou publicamente sobre os motivos específicos que levaram Epstein a obter o documento brasileiro, nem sobre eventual atividade econômica dele no país.
Os documentos recém-divulgados também incluem outros registros relacionados ao esquema criminal que envolvia Epstein, com menções a pessoas famosas, poderosas ou com histórico de contatos com ele em outros contextos — como já tinha sido observado em matérias sobre a repercussão internacional dos arquivos.
Jeffrey Epstein foi um financista americano que enfrentou duas ações judiciais nos Estados Unidos por abuso e exploração sexual de menores, tendo se declarado culpado de exploração de menores em 2008 e cumprido pena antes de voltar a ser preso em 2019 por acusações ampliadas envolvendo tráfico e exploração sexual. Ele foi encontrado morto na prisão em agosto de 2019, em uma morte oficialmente declarada como suicídio.
A inclusão do CPF brasileiro de Epstein entre os arquivos divulgados reacende questionamentos sobre a abrangência de seu patrimônio e possíveis relações internacionais, embora não exista, até o momento, confirmação de que ele tenha usado o CPF para realizar qualquer operação financeira, adquirir bens ou desenvolver negócios no Brasil.
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