Eleitores de Bangladesh vão às urnas em pleito histórico após protestos liderados por jovens
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Bangladesh foi às urnas na quinta-feira (12) para realizar a primeira eleição nacional desde as revoltas de 2024 lideradas pela chamada Geração Z, que culminaram com a queda da premiê Sheikh Hasina e o fim de seu governo de 15 anos, informou a reportagem da Veja. O pleito, considerado histórico e um marco na trajetória política do país do sul da Ásia, marca a retomada de uma disputa eleitoral direta após um período de intenso conflito nas ruas e de profundas transformações no cenário político local.
Na eleição em curso, milhões de cidadãos se dirigiram às seções de votação para escolher os representantes de um novo Parlamento, em um processo que também incluiu um referendo sobre mudanças constitucionais estruturais que podem redefinir aspectos do sistema político e institucional do país. A votação tem sido encarada como um momento decisivo para determinar o rumo futuro da democracia bangladeshiana, em especial com a expressiva participação de jovens eleitores que desempenharam papel central nas manifestações que levaram à destituição de Hasina.
Cerca de 44% do eleitorado é composto por pessoas entre 18 e 37 anos, representando uma fatia significativa do total de aptos a votar e sendo considerada fundamental para o resultado final, dado seu protagonismo na revolta de 2024 e expectativas por mudanças profundas no país, que enfrenta desafios como corrupção e estagnação econômica.
Durante o dia de votação, especialistas das Nações Unidas expressaram preocupação com o desenvolvimento do processo eleitoral, citando “crescentes intolerância, ameaças e ataques” e um grande volume de desinformação direcionado especialmente a eleitores jovens, fenômeno que personagens internacionais e observadores vêm classificando como um “tsunami de desinformação”.
Mais de 50 partidos lançaram candidaturas para as eleições legislativas, mas as pesquisas de opinião têm destacado duas principais forças políticas em disputa pela liderança do novo governo: o Partido Nacionalista de Bangladesh (BNP), maior sigla do país e tradicional rival político, e o Jamaat-e-Islami, o maior partido muçulmano do país, que recebeu o apoio de uma legenda emergente formada por líderes dos protestos de 2024.
O pleito ocorre em um contexto de expectativas elevadas tanto internamente quanto no exterior, já que ele é visto como uma oportunidade não apenas para renovar a composição do Parlamento, mas também para implementar reformas profundas que respondam às demandas de uma parcela significativa da população, especialmente dos jovens que clamam por uma mudança do modelo político que vigorou por mais de uma década em Bangladesh.