Cozinheiro sobrevive por 60 horas em bolha de ar a 30 metros de profundidade após naufrágio na Nigéria
9 de out.
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O cozinheiro nigeriano Harrison Odjegba Okene sobreviveu por cerca de 60 horas dentro de uma pequena bolha de ar em um rebocador naufragado a aproximadamente 30 metros de profundidade. Ele foi encontrado por mergulhadores que trabalhavam na recuperação dos corpos dos tripulantes e não esperavam encontrar alguém vivo após quase três dias debaixo d’água.
O acidente aconteceu em 26 de maio de 2013, quando o rebocador Jascon 4 virou e afundou no Oceano Atlântico, próximo à costa da Nigéria. Naquele momento, a embarcação auxiliava a estabilização de um navio-tanque em uma plataforma ligada à exploração de petróleo.
Okene estava no banheiro quando o barco virou. Com a água invadindo os compartimentos e a embarcação afundando rapidamente, ele precisou encontrar um local onde pudesse respirar. Em meio à escuridão, conseguiu chegar a um compartimento no qual uma quantidade de ar permaneceu presa, formando uma pequena bolsa sob o teto.
Foi nesse espaço que o cozinheiro permaneceu durante aproximadamente dois dias e meio, sem saber se seria encontrado. Enquanto isso, as equipes de resgate iniciavam as buscas pelos tripulantes desaparecidos.
Sobrevivente improvisou uma plataforma dentro do navio
Depois de encontrar o espaço com ar, Okene tentou organizar o ambiente para continuar vivo. Ele conseguiu um colete salva-vidas, duas lanternas e um martelo, objetos que poderiam ajudá-lo durante a espera.
Como a água ocupava boa parte do compartimento, o cozinheiro improvisou uma plataforma com colchões e outros materiais, buscando manter o corpo fora da água fria. A alimentação era escassa, e ele encontrou refrigerante e outros poucos alimentos no interior da embarcação.
A situação era especialmente difícil porque o local estava completamente escuro e o sobrevivente não tinha como saber quanto tempo havia passado. Além do frio, ele enfrentava o medo de morrer preso no fundo do mar.
Durante as horas de isolamento, Okene também ouviu sons vindos do exterior e do interior do navio. Sem conseguir sair, tentou encontrar uma maneira de chamar a atenção de quem estivesse procurando os tripulantes.
Mergulhadores procuravam corpos quando encontraram uma mão se movendo
As equipes de mergulho haviam sido enviadas para recuperar os corpos dos tripulantes do Jascon 4. Depois de encontrarem vítimas fatais, os profissionais não tinham grandes expectativas de localizar alguém com vida, considerando o tempo transcorrido desde o naufrágio.
Durante uma das incursões, porém, um mergulhador avistou uma mão no interior da embarcação. A princípio, ele pensou que fosse o corpo de mais um tripulante. Ao se aproximar, percebeu que a mão se movimentava e que havia uma pessoa viva no compartimento.
Era Okene, que havia conseguido resistir graças ao ar preso no interior do navio. O cozinheiro tentou sinalizar sua presença e chamar a atenção dos mergulhadores, inclusive batendo com um martelo contra as paredes metálicas da embarcação.
A descoberta surpreendeu a equipe de resgate. O sobrevivente estava há mais de 60 horas no fundo do mar, em condições extremas, e precisava ser retirado com cuidado devido à profundidade em que se encontrava.
Resgate exigiu cuidados especiais para evitar complicações
Após encontrar Okene, a equipe iniciou os procedimentos para retirá-lo do rebocador. Os mergulhadores forneceram equipamentos de respiração e proteção e conduziram o sobrevivente por um sistema de mergulho até uma estrutura que permitisse sua descompressão.
O retorno à superfície não poderia ocorrer de maneira imediata. A aproximadamente 30 metros de profundidade, a pressão exercida sobre o corpo é superior à encontrada na superfície, e uma mudança brusca poderia provocar complicações graves.
Por isso, depois de ser retirado do navio, Okene passou por um processo de descompressão em uma câmara especializada. O procedimento permitiu que seu organismo se adaptasse gradualmente às mudanças de pressão.
O caso chamou a atenção internacional pela duração da sobrevivência e pelas circunstâncias do resgate. A pequena bolsa de ar foi decisiva para que o cozinheiro permanecesse respirando até ser localizado pelos mergulhadores.
Dos tripulantes que estavam a bordo do Jascon 4, Okene foi o único sobrevivente encontrado com vida. O episódio se tornou um dos casos mais conhecidos de sobrevivência após um naufrágio em grandes profundidades.
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