Cultivar de café desenvolvida pela Epamig é destaque em diferentes sistemas de produção
15 de jul. de 2023
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Foto: Erasmo Pereira
A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) tem investido no desenvolvimento de novas cultivares de café capazes de atender às demandas da cafeicultura atual, principalmente no que se refere a produtividade, resistência a pragas e doenças e qualidade final da bebida. Testadas em diferentes localidades, estas cultivares têm apresentado elevado potencial adaptativo aos diversos sistemas produtivos da cafeicultura mineira, independentemente de ser pequena ou grande propriedade, cultivo sequeiro ou irrigado, convencional ou orgânico e área plana ou relevo inclinado. “Nosso trabalho com Melhoramento Genético tem como base o Banco de Germoplasma de Café, composto por mais de 1590 acessos, a partir do qual temos variabilidade para controle de doença, diversos tipos de porte, época de maturação e recentemente, com maior intensidade, pesquisas voltadas para a qualidade de bebida”, explica o pesquisador da Epamig, Antônio Alves Pereira, o Tonico, em referência ao acervo genético mantido no Campo Experimental da Epamig, em Patrocínio.
MGS Paraíso 2
Lançada no ano de 2012, a cultivar MGS Paraíso 2, tem se destacado por apresentar elevadas produtividades e alto potencial para produção de cafés especiais. Derivada do cruzamento entre Catuaí Amarelo IAC 30 e Híbrido de Timor UFV 445-46, a cultivar caracteriza-se pelo porte baixo, frutos amarelos, alto vigor vegetativo, resistência à ferrugem, precocidade de maturação dos frutos, ampla adaptação aos sistemas de cultivo irrigado e de sequeiro e excelente adaptabilidade aos sistemas de colheita manual e mecanizada.
“No projeto do Cerrado, em parceria com a Federação dos Cafeicultores, essa foi a cultivar que alcançou a maior média de produtividade e de qualidade da bebida no somatório das 22 propriedades participantes nas quatro primeiras colheitas”, aponta o pesquisador da Epamig Vinícius Andrade.
“No Sul de Minas, a MGS Paraíso 2 ficou entre as três melhores em produtividade em cinco dos dez municípios avaliados e obteve as maiores pontuações na análise sensorial, no projeto realizado junto com a Cooxupé”, informa o coordenador do projeto e pesquisador da Epamig César Botelho.
Resultados em Campo
Cafeicultor no município de Patrocínio, Alessandro Brandão, foi um dos produtores que receberam uma Unidade Demonstrativa da parceria entre a Epamig e Federação dos Cafeicultores do Cerrado. “Estamos em uma área irrigada, com 880 metros de altitude e muito cascalho. Seguimos as indicações de manter na UD as mesmas estratégias de manejo da propriedade e já nas primeiras safras a MGS Paraíso 2 se destacou. Antes mesmo, dos resultados finais do projeto, já recebíamos visitas de pessoas interessadas em conhecer e plantar. Rodo muita a região e posso afirmar que isso aconteceu com outros vários produtores”. Dentre as características que mais chamaram atenção para a cultivar, Alessandro destaca a peneira alta e a facilidade da colheita. “A máquina consegue coletar os grãos de modo fácil. É a mais produtiva e a melhor bebida.
Com as mesmas práticas de colheita e pós-colheita para todas as cultivares, conseguimos 87 pontos na bebida da Paraíso”, diz o cafeicultor que pretende renovar nove hectares de sua lavoura em 2025. “Vou priorizar a MGS Paraíso 2.
Digo à Epamig e aos viveiristas que podem preparar o estoque de sementes e mudas, pelo que vejo aqui na região a procura será grande”. Também no município de Patrocínio, o cafeicultor Ricardo Bartholo investe há três anos na produção orgânica certificada. “Foi uma transição bastante tranquila, fomos adotando novas práticas de manejo e com o tempo conseguimos eliminar o uso de defensivos e adubos químicos”. O produtor assegura que a qualidade da bebida é o foco do trabalho.A cultivar tem obtido bons resultados também na cafeicultura de montanha. “Os novos materiais sempre causam desconfiança entre produtores e extensionistas. Já tínhamos ouvido falar da MGS Paraíso 2, mas não tínhamos segurança para plantar ou indicar até a instalação das Unidades Demonstrativas em parceria com Epamig”, conta o gerente de Desenvolvimento Técnico da Cooxupé, Mário Ferraz, que define o projeto como fundamental para a expansão das novas cultivares.
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