Cunhado de Vorcaro, ex-mulher do banqueiro e “Sicário” fizeram repasses à Igreja da Lagoinha, aponta Coaf
há 23 minutos
3 min de leitura
Foto: Reprodução/Instagram
Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontam que pessoas ligadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro fizeram transferências que somam quase R$ 20 milhões para uma conta da Igreja Batista da Lagoinha Belvedere, em Belo Horizonte. A maior parte dos valores foi enviada por Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro e ex-pastor da unidade religiosa, segundo os documentos tornados públicos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Zettel realizou 26 operações que totalizaram R$ 19,2 milhões para a igreja. Ele aparece nos registros como procurador e representante legal da instituição no período analisado. O levantamento faz parte dos documentos relacionados às investigações sobre as movimentações financeiras ligadas ao Banco Master e foi encaminhado às autoridades no contexto da apuração conduzida pela Polícia Federal.
Além dos repasses feitos pelo cunhado, os relatórios do Coaf registram transferências realizadas por outros integrantes ou pessoas próximas à família de Vorcaro. Fabíola de Almeida Macedo Vorcaro, ex-mulher do banqueiro, fez sete transferências que somaram R$ 101,6 mil.
O pai de Daniel Vorcaro, Henrique Moura Vorcaro, também aparece no relatório. Ele realizou quatro operações que totalizaram R$ 120 mil para a instituição religiosa.
Outro nome identificado nos documentos é Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”. Segundo o Coaf, ele fez 11 repasses para a igreja, que somaram R$ 22 mil. Mourão era apontado pela Polícia Federal como integrante da estrutura de segurança ligada a Vorcaro. Ele morreu em março, após, segundo a PF, tentar tirar a própria vida enquanto estava sob custódia.
Somadas as movimentações citadas, os repasses de pessoas relacionadas a Vorcaro chegam a aproximadamente R$ 19,45 milhões, com Zettel respondendo pela ampla maioria do montante.
O relatório também chama atenção para o volume total movimentado pela conta da Igreja Batista da Lagoinha Belvedere. Entre 24 de dezembro de 2024 e 8 de dezembro de 2025, foram registrados R$ 57,1 milhões em movimentações financeiras. Desse total, aproximadamente R$ 28,5 milhões correspondem a entradas e R$ 28,6 milhões a saídas.
O valor chamou a atenção porque o faturamento anual presumido da instituição, segundo os dados cadastrais analisados, era de aproximadamente R$ 950 mil. O volume movimentado em cerca de um ano, portanto, era muito superior à receita estimada para a igreja.
O Coaf classificou as operações como atípicas e apontou que, pela habitualidade, pelos valores e pela forma como foram realizadas, elas poderiam dificultar a identificação da origem, do destino e dos responsáveis pelos recursos. A análise foi encaminhada à Polícia Federal no âmbito das investigações relacionadas ao caso Banco Master.
Parte dos recursos que deixaram a conta da igreja foi destinada a empresas dos setores de construção civil, engenharia, estruturas metálicas, instalações e produção de eventos. Segundo os documentos, construtoras e incorporadoras receberam aproximadamente R$ 4,9 milhões durante o período analisado.
A movimentação de Zettel também aparece associada a outras operações financeiras examinadas pelo Coaf. O relatório reúne informações sobre centenas de pessoas físicas e empresas relacionadas ao ex-pastor e aponta transações que foram consideradas incompatíveis, em alguns casos, com o patrimônio, a atividade econômica ou a capacidade financeira declarada pelos envolvidos.
Zettel foi preso pela Polícia Federal em março, durante uma fase das investigações relacionadas ao Banco Master. A Igreja Batista da Lagoinha Belvedere, onde ele havia exercido a função de pastor e que aparece nos relatórios financeiros, foi posteriormente fechada.
Em posicionamento divulgado após a publicação dos documentos, a Lagoinha afirmou que suas unidades possuem autonomia administrativa, jurídica e financeira para gerir receitas, despesas, investimentos e obras. Segundo a denominação, a gestão da unidade Belvedere estava sob responsabilidade da liderança local à época.
A Lagoinha Global afirmou ainda que havia recebido da liderança da unidade a informação de que seriam realizados investimentos em reformas e melhorias nas instalações da igreja. A denominação disse que as intervenções eram visíveis, mas que não tinha conhecimento prévio da dimensão das movimentações financeiras identificadas pelo Coaf.
A igreja também informou que Zettel foi afastado de suas funções pastorais após surgirem as primeiras informações públicas relacionadas ao caso Banco Master e declarou que apoia a apuração dos fatos pelas autoridades competentes.
Comentários