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Câmara de Campo Belo abre investigação contra prefeito por suspeita de irregularidades em mutirão oftalmológico

  • 24 de out. de 2025
  • 2 min de leitura

fonte: g1
fonte: g1
A Câmara Municipal de Campo Belo (MG) aprovou a abertura de uma comissão processante para investigar o prefeito Adalberto Ribeiro Lopes (PL), após denúncias de irregularidades em um mutirão oftalmológico realizado no último domingo (20). O caso também é apurado pela Polícia Civil, Ministério Público e Procon.
O mutirão, realizado na Escola Municipal Cônego Ulisses, atendeu cerca de 200 pacientes. Moradores relataram que o médico responsável não possuía especialização em oftalmologia e que os atendimentos se estenderam até a madrugada. A jornalista Kelly Cristina, do Diário de Campo Belo, registrou que “ainda tinham umas 30 pessoas para serem atendidas” e que o profissional “ainda está em residência médica”.
Uma das pacientes, Vicentina Gonçalves Martins, contou ter pago R$ 1,3 mil por um par de óculos após a consulta. “Eu cheguei lá e estava a maior confusão. Fiquei até 11 horas da noite para ser atendida”, relatou.
A denúncia apresentada pelos vereadores aponta que pacientes foram induzidos a comprar óculos após os exames. A Polícia Militar foi acionada e registrou boletim de ocorrência. Segundo o documento, o médico e sua equipe deixaram o local às pressas, abandonando fichas de pacientes e uma embalagem de medicamento controlado, que foram apreendidas.
O Ministério Público determinou a suspensão do mutirão, e o Procon recebeu pelo menos seis pedidos de reembolso. “Eles chegaram em casa e viram que o valor não cabia no orçamento. Todos os atendimentos foram para pedir arrependimento da compra”, explicou Michele Viviane Maia, coordenadora do órgão.
Durante sessão da Câmara, o então secretário de Saúde Juliano Furtado Freire reconheceu falhas no projeto. Dois dias depois, o prefeito exonerou o secretário e anunciou sindicância interna para apurar os fatos. “Eu quero a apuração de todos os fatos, inclusive desse médico que veio também. Não vamos deixar nada sem esclarecimento para a população e a Câmara”, declarou o prefeito.
A comissão processante terá 90 dias para investigar o caso, ouvir testemunhas e analisar documentos. Segundo o vereador Gustavo Henrique Protásio Martins (Republicanos), se comprovadas as irregularidades, o prefeito poderá responder por infração político-administrativa e improbidade.
A Polícia Civil confirmou que as investigações continuam. A reportagem ainda busca contato com o ex-secretário Juliano Furtado Freire e os responsáveis pelo projeto Ver Melhor.

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Gazeta de Varginha

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