Delegado afirma que academia utilizava em um dia na piscina a quantidade de cloro recomendada para uma semana, em caso que resultou em morte em São Paulo
há 2 horas
2 min de leitura
Reprodução
O delegado Alexandre Bento, responsável pelas investigações sobre a morte de uma aluna na piscina de uma academia localizada na zona leste de São Paulo, afirmou nesta quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026, que a unidade utilizava, em apenas um dia, a quantidade de cloro recomendada para ser aplicada ao longo de uma semana, segundo parâmetros técnicos para esse tipo de piscina. A declaração foi feita durante coletiva de imprensa sobre o caso, que também envolve a intoxicação de outras pessoas que nadaram no local.
De acordo com a investigação conduzida pelo 42º Distrito Policial de São Paulo (Parque São Lucas), a academia investigada, identificada como C4 Gym, aplicava doses acumuladas de produtos químicos na água de forma irregular com o objetivo de manter as atividades da piscina em funcionamento contínuo, “sem interrupções”, segundo Bento, mesmo quando, tecnicamente, a piscina deveria ser fechada para tratamento e descanso da água.
O delegado relatou que, conforme os autos do inquérito, a dosagem utilizada pela academia fugia completamente do padrão técnico esperado para aquele tipo de instalação. “Eles chegavam a usar em um dia na academia uma medida que normalmente para esse tipo de piscina, dentro do padrão, é utilizado em uma semana. A carga de cloro que eles usavam em um dia é usada em uma semana em uma piscina desse tipo”, disse Bento ao detalhar a conduta investigada.
Segundo o delegado, práticas dessa natureza tinham relação direta com a manutenção contínua das atividades da academia com o objetivo de maximizar o lucro, evitando que a piscina ficasse fechada para procedimentos técnicos de tratamento, o que poderia interromper as aulas e o acesso dos frequentadores. “Eles faziam tudo isso visando lucro máximo, para que a piscina nunca fosse fechada”, afirmou o investigador ao explicar o motivo pelo qual as aplicações de cloro eram realizadas mesmo com frequentadores no local.
A investigação policial apura a morte da professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, ocorrida no último sábado, 7 de fevereiro de 2026, depois que ela passou mal durante uma aula de natação na piscina da academia. Além dela, ao menos sete pessoas, incluindo o marido dela e um adolescente de 14 anos, apresentaram sintomas de intoxicação química e foram levadas a hospitais, alguns em estado grave, segundo autoridades.
Ainda conforme a Polícia Civil, os proprietários da C4 Gym foram indiciados por homicídio com dolo eventual, e a Justiça ainda deve analisar o pedido de prisão dos indiciados no âmbito das investigações.
Bento também relatou indícios de tentativas de dificultar a investigação por parte dos responsáveis pela academia desde as primeiras horas após o episódio, inclusive com tentativas de alterar relatos e contornar a coleta de informações, o que reforça, na avaliação da polícia, a gravidade dos fatos apurados até o momento.