Demora em cirurgia leva à condenação de hospital em MG
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Divulgação
Hospital é condenado por morte de paciente após atraso em cirurgia de apendicite.
A 18ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) manteve a condenação de um hospital pela morte de uma paciente de 21 anos, após demora na realização de cirurgia para tratar apendicite aguda. A decisão confirmou a indenização por danos morais de R$ 50 mil à mãe da vítima, valor fixado pela Comarca de Teófilo Otoni.
Entenda o caso
De acordo com o processo, a jovem foi internada em março de 2013 com diagnóstico de apendicite aguda. O médico responsável optou inicialmente por não realizar a cirurgia, adotando um tratamento conservador com drenagem.
Apesar de registros apontarem estabilidade clínica, o quadro da paciente evoluiu negativamente nos dias seguintes, com sinais de infecção generalizada, além de complicações respiratórias e renais.
No dia 7 de abril, ela foi transferida para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Uma semana depois, passou por cirurgia de emergência, mas não resistiu às complicações e faleceu em 14 de abril.
Decisão judicial
A família ingressou com ação judicial alegando que a demora no tratamento adequado contribuiu diretamente para o agravamento do quadro e para a morte da paciente.
Em defesa, o hospital argumentou não haver comprovação de falha na prestação do serviço nem relação direta entre a conduta médica e o óbito, além de sustentar que o quadro clínico já era grave.
No entanto, segundo o relator do caso, desembargador Luís Eduardo Alves Pifano, a prova técnica demonstrou falhas na condução do tratamento, especialmente pela demora na realização dos procedimentos necessários.
De acordo com o magistrado, houve inadequação na escolha terapêutica e persistência em uma conduta ineficaz, o que levou à evolução do quadro para sepse e, posteriormente, à morte.
Apuração profissional
A conduta médica também foi analisada em processo administrativo pelo Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRM-MG), que aplicou censura pública ao profissional, apontando imprudência e negligência.