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Denúncia revela trituração de 35 mil pintinhos machos por dia em incubatório no Sul; prática é comum no setor de ovos

há 56 minutos
2 min de leitura

Reprodução
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Uma investigação realizada pela organização Mercy For Animals (MFA) revelou o descarte de cerca de 35 mil pintinhos machos em um único dia em um grande incubatório localizado na Região Sul do Brasil. Os animais são triturados vivos menos de 24 horas após o nascimento. A prática ocorre de forma sistemática porque os machos não põem ovos e não possuem características genéticas destinadas ao abate. Logo após nascerem, são separados das fêmeas e eliminados. A organização registrou também o descarte de fêmeas em menor número, por apresentarem deformidades, nascimento prematuro ou por excesso de produção.

Segundo a vice-presidente de Investigações da MFA, Luiza Schneider, os pintinhos recém-nascidos já possuem sistema nervoso completamente formado e capacidade plena de sentir dor e medo. A entidade alerta que a prática, embora chocante, é adotada por quase toda a indústria de ovos no país.

Existe alternativa tecnológica: a chamada sexagem embrionária permite identificar o sexo da ave ainda dentro do ovo, evitando o nascimento e o descarte dos machos. A primeira máquina desse tipo foi instalada no ano passado em incubatório de Nova Granada, interior de São Paulo. O obstáculo é o custo: enquanto o descarte convencional custa cerca de R$ 7 por ave, a tecnologia acrescenta de R$ 5 a R$ 10 por animal. Estimativas indicam, porém, que o acréscimo representa poucos centavos por dúzia de ovos ao consumidor final.

Na Europa, países como Alemanha, França, Áustria e Itália já proibiram por lei a trituração de pintinhos. A Noruega e a Suíça eliminaram a prática por exigência do mercado. No Brasil, a Constituição proíbe crueldade contra animais, mas não há lei específica sobre o tema. Dois projetos tramitam no Congresso: o PL 783/2024 já passou por comissões mas recebeu parecer contrário na Comissão de Agricultura; o PL 3034/2026 foi apresentado em junho e ainda está em fase inicial. A associação que representa o setor avícola ainda não se pronunciou sobre a denúncia.

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Gazeta de Varginha

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