Dólar recua e Ibovespa sobe com alívio global após suspensão parcial de tarifas dos EUA
gazetadevarginhasi
14 de abr. de 2025
3 min de leitura
Reprodução
O dólar à vista recuava nesta segunda-feira (14), acompanhando o movimento de desvalorização da moeda norte-americana no exterior, em um dia de alívio nos mercados globais. A trégua parcial nas tarifas comerciais dos Estados Unidos sobre produtos de alta tecnologia, em especial da China, trouxe otimismo e reduziu a aversão ao risco.
Às 12h24, o dólar à vista caía 0,13%, cotado a R$ 5,8573 na venda. Na última sexta-feira (11), a moeda já havia recuado 0,49%, fechando a R$ 5,8698. No mesmo horário, o Ibovespa avançava 1,08%, aos 129.060,44 pontos, impulsionado pelo cenário positivo no exterior.
🌐 Alívio global e recuperação das bolsas
A suspensão temporária de tarifas sobre importações de eletrônicos, anunciada pelo governo Trump, foi o principal fator de influência nos mercados. O alívio impulsionou as bolsas asiáticas: o índice Hang Seng, de Hong Kong, subiu 2,4%, o Kospi, da Coreia do Sul, avançou 1%, e o índice composto de Xangai teve alta de 0,8%.
Na Europa, os ganhos também foram expressivos. O índice Stoxx 600 subia 2,48%, enquanto o DAX, da Alemanha, e o CAC 40, da França, registravam altas de 2,72% e 2,32%, respectivamente. O FTSE 100, de Londres, também avançava, com ganho de 1,85%.
Nos Estados Unidos, os principais índices de Wall Street operavam em alta, puxados por ações de tecnologia. O Dow Jones subia 1,13%, aos 40.666,10 pontos, o S&P 500 ganhava 1,49%, chegando a 5.443,23 pontos, e o Nasdaq Composite avançava 1,74%, para 17.014,81 pontos.
📈 Ações de tecnologia se recuperam
Com a suspensão tarifária temporária, as ações globais de tecnologia ensaiaram recuperação após semanas de pressão. A Apple subia 3,5%, após queda acumulada de 9,1% nas duas semanas anteriores, reflexo de temores sobre os impactos tarifários em seus produtos. HP e Dell Technologies subiam 3,5% e 5,9%, respectivamente, e a fabricante de chips Nvidia avançava 1,5%.
Na Europa, empresas como ASM International e Infineon, mais expostas ao mercado norte-americano, registravam altas entre 1,4% e 3,2%. Na Ásia, fornecedoras da Apple também reagiram: Foxconn chegou a subir 7,8%, fechando com ganho de 3%; Quanta avançou 5,8%; e Inventec, 4,1%.
Apesar do otimismo, o alívio pode ser passageiro. No domingo (13), Trump prometeu novas tarifas sobre semicondutores, como parte de seu plano de realocar a produção para fora da China.
📊 Impactos sobre emergentes e commodities
O recuo do dólar também foi estimulado pela desvalorização global da moeda frente a pares do real, como o peso mexicano, o rand sul-africano e o peso chileno. Investidores em mercados emergentes mostraram alívio diante da trégua tarifária, reduzindo os temores de uma guerra comercial global, acirrados desde o anúncio do “Dia da Libertação” em 2 de abril.
Outro fator positivo para países como o Brasil foi a alta nos preços das commodities, como petróleo e minério de ferro, impulsionada pela redução de incertezas e por dados animadores da economia chinesa.
“Embora as exportações sul-americanas para os EUA sejam limitadas, a dependência da demanda chinesa e dos preços de commodities é alta”, destacaram analistas do Goldman Sachs.
📅 Olho na agenda
A semana promete ser movimentada. Entre os destaques, estão os dados de inflação na zona do euro e no Japão, números de crescimento da China e a próxima decisão de política monetária do Banco Central Europeu, prevista para quinta-feira.
Nos bastidores, continuam as articulações diplomáticas: representantes dos Estados Unidos e do Japão têm encontro marcado nesta quinta para discutir novas tarifas bilaterais, o que pode reavivar tensões comerciais e voltar a mexer com os mercados.
Comentários