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El Niño traz contrastes climáticos de Norte a Sul do Brasil; excesso de chuva prejudica grãos e cana, enquanto seca ameaça castanha; café e soja têm cenários mistos

há 15 minutos
2 min de leitura

Reprodução/ IA
Reprodução/ IA
O pico do fenômeno El Niño, previsto para novembro, acentua contrastes climáticos que afetam safras de Norte a Sul do Brasil, com reflexos que podem durar até o primeiro semestre de 2027 — e, em alguns casos, por mais tempo. Enquanto o excesso de precipitação prejudica colheitas no Centro-Sul, períodos de calor e seca preocupam produtores na Amazônia e no Nordeste. O impacto varia conforme a cultura e a região: perdas expressivas em grãos de inverno e cana, umidade favorável ao café e perspectivas divididas para a soja.

No Paraná, as chuvas comprometeram produtividade e qualidade dos grãos de inverno. A produção total deve cair 28% em relação a 2025, para 2,84 milhões de toneladas. O trigo é o mais atingido: recuo de 34%, para 1,9 milhão de toneladas, com redução de área e rendimento — além de queda de qualidade que restringe oferta à indústria de panificação. A cevada perdeu a perspectiva de recorde, com estimativa de 492 mil toneladas, 2% abaixo do ano anterior. Aveia, centeio e triticale também registram perdas.

Na Amazônia, a preocupação é com a castanha-da-Amazônia. O ciclo de 12 a 18 meses entre floração e frutificação faz com que condições adversas afetem safras futuras. Após eventos severos de El Niño, a produção caiu de cerca de 38 mil–42 mil toneladas para 23 mil toneladas em 2017; recuperou para 38 mil em 2022 e recuou novamente para 26 mil toneladas após 2023/24. Além de reduzir a produção, a seca dificulta o escoamento pela região fluvial — e o estresse das árvores pode persistir mesmo depois que o clima melhora.

No Centro-Sul, o excesso de umidade atrasa a maturação e a colheita da cana-de-açúcar. Estimativas apontam atraso superior a 20% e possibilidade de 50 milhões de toneladas deixadas no campo. A moagem, tradicionalmente encerrada em novembro, deve se estender até dezembro e, em algumas usinas, até janeiro. O volume não colhido compromete também a safra 2027/28. No Nordeste, a estiagem reduz a projeção de 56,3 para 55 milhões de toneladas. Já nas lavouras de café do Sudeste e Sul, as chuvas mantêm boa disponibilidade de umidade, favorecendo o desenvolvimento das plantas.

Para a soja, o cenário é duvidoso. Simulação da Serasa Experian aponta que, se repetir o desempenho de 2023/24, a produção pode ficar 9,7% abaixo do cenário de clima neutro — diferença de 17,6 milhões de toneladas e impacto de R$ 33 bilhões no Valor Bruto da Produção. Por outro lado, a StoneX elevou a projeção para recorde de 184,95 milhões de toneladas, com clima favorável nos estágios iniciais em Mato Grosso. O plantio acelerado traz otimismo, mas a instabilidade climática mantém o alerta: o que define a safra não é só o começo, mas como o tempo se comportará até a colheita.

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