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Pesquisa AP com 80 mil eleitores revela: jovens e hispânicos se afastam dos republicanos; oposição a Trump e desejo de fiscalização guiaram voto

há 27 minutos
2 min de leitura

Reprodução
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A pesquisa AP Voter Poll, que entrevistou cerca de 80 mil eleitores nos 50 estados, revela uma mudança de alinhamento eleitoral nos Estados Unidos. Os republicanos perderam terreno entre os grupos que formaram a coalizão de vitória de Donald Trump em 2024. Os eleitores com menos de 30 anos, que na eleição presidencial ficaram praticamente divididos, agora apoiam maciçamente os democratas — 7 em cada 10 votaram no partido para a Câmara. Entre os eleitores hispânicos, a queda também é visível: o apoio aos republicanos recuou de aproximadamente 40% para 33%. A insatisfação é profunda: metade dos jovens diz sentir "raiva" dos rumos do país, contra um terço dos eleitores com 65 anos ou mais.

Embora Trump não estivesse na cédula, ele foi a presença constante no voto. Cerca de quatro em cada dez eleitores disseram ter votado para expressar oposição ao presidente; apenas dois em cada dez queriam demonstrar apoio. Entre os mais jovens, a rejeição é ainda mais nítida. A desaprovação à gestão chega a 6 em cada 10, e proporção semelhante avalia que o presidente prioriza os próprios interesses acima dos do país. O eleitorado não pede apenas mudança — pede contenção: 7 em cada 10 consideram que o Congresso não faz o suficiente para limitar e fiscalizar o poder presidencial, insatisfação que atinge também independentes e até 4 em cada 10 republicanos.

A economia permaneceu como principal preocupação — citada por cerca de 4 em cada 10 — mas a situação da democracia e a corrupção no governo quase igualaram o peso. Para metade dos eleitores, ambos foram fatores "cruciais" na decisão, superando imigração, guerra no Irã e regulação de inteligência artificial. Quem apontou a democracia como problema principal apoiou o candidato democrata na proporção de 8 para 2. A corrupção também levou a maioria a votar na oposição. O eleitorado não escolheu apenas entre preços e emprego — escolheu entre confiança nas instituições e risco de desvio.

A vantagem democrata existe, mas é modesta. O partido tem leve superioridade na avaliação sobre economia, corrupção e política externa, e vantagem mais clara em saúde e questões sociais. Mesmo assim, pouco menos da metade dos eleitores tem visão favorável aos democratas, e cerca de 4 em cada 10 aprovam os republicanos. Nenhum partido conquistou entusiasmo amplo. O que definiu a eleição não foi adesão entusiástica a uma proposta, mas rejeição a um estilo de governo e o desejo de frear o poder. O resultado é mais um recado de contenção do que um mandato de transformação — e o Congresso que toma posse em janeiro terá que governar para um país que continua dividido.

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