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Eleição em Israel é definida como plebiscito sobre democracia liberal; especialista aponta dois projetos distintos para o país

há 1 hora
2 min de leitura

Reprodução
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Os eleitores de Israel dirigem-se às urnas nesta terça-feira (27) para o que é amplamente considerado o pleito mais decisivo das últimas décadas — a primeira eleição geral desde os ataques do Hamas em outubro de 2023 e a subsequente guerra na Faixa de Gaza. Para João Miragaya, mestre em História pela Universidade de Tel-Aviv e assessor do Instituto Brasil-Israel, trata-se de verdadeira "eleição de destino": não se resume a escolher um governo, mas a decidir qual tipo de país Israel será. "Vai traçar o rumo do Estado. Não é só permanência de Netanyahu ou não", avalia o especialista.

A disputa divide-se em dois projetos claros e inconciliáveis, segundo Miragaya. De um lado, agrupa-se a frente que defende a continuidade de Israel como democracia liberal — reunindo centro, esquerda, parte da direita e partidos árabes. Do outro, a coalizão liderada por Netanyahu, formada por direita, extrema direita e ultraortodoxos, que propõe reformas profundas nas instituições. "Se o governo Netanyahu vencer, o país será outra coisa", alerta o historiador, para quem as mudanças pretendidas enterrariam o modelo democrático tal como conhecido até aqui.

A trajetória de Netanyahu nos últimos anos teria pavimentado essa divisão: aproximou e incluiu no governo grupos antes considerados ilegítimos pela maioria e pela Justiça, levou partidos extremistas ao centro do poder e incorporou suas pautas como oficiais. O processo, gradual e sem precedentes, transformou a disputa eleitoral em referendo sobre a natureza do Estado — e não apenas sobre gestão ou políticas pontuais. A guerra em Gaza, por sua vez, não funciona como pauta de saída diplomática, mas como questionamento de segurança: quem falhou em evitar o 7 de outubro e quem tem plano mais eficaz para impedir repetição.

Curiosamente, a questão palestina e a solução de dois Estados estão ausentes da campanha, mesmo entre partidos árabes. A avaliação compartilhada é de que não há caminho visível para implementação nos próximos anos — não existe maioria parlamentar interna, e nenhuma potência externa impõe a medida neste momento. O debate, portanto, concentra-se inteiramente na estrutura interna: o que significa ser cidadão, como se dividem poderes e qual é o papel das instituições frente a visões de mundo tão diferentes. O resultado dirá se Israel segue como democracia liberal ou redefine-se sob princípios mais restritivos.

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