Jordânia ataca bases do Estado Islâmico na Síria e diz ter morto mais de 20 militantes; vítimas civis geram atrito com governo sírio
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A Força Aérea da Jordânia realizou ataques aéreos contra esconderijos do Estado Islâmico no sul da Síria, nesta terça-feira (27), e informou ter eliminado mais de 20 militantes. A operação foi ordenada após investigação ligar os autores de um ataque a uma igreja em território jordaniano — que deixou nove mortos — a grupos que operam do lado sírio da fronteira. O ministro da Comunicação, Mohammed al-Momani, confirmou a ação e expressou pesar pelas vítimas civis, mas reafirmou que a defesa do país exigia a resposta imediata.
O governo sírio, liderado por Ahmed al-Sharaa, apresenta balanço diferente: sete mortos, entre eles três crianças e uma mulher. A comunidade internacional e a população local reagiram com consternação. Em Al-Mismiyah, onde foram realizados os funerais de quatro vítimas, Salah Mahwash relatou à Reuters: "Por volta das 22h, houve explosão e som de aviões sobrevoando. Encontramos uma família pobre cujo pai havia desaparecido". O episódio aprofunda atrito entre dois países que são tradicionalmente aliados dos Estados Unidos, mas que divergem sobre controle de áreas de fronteira.
A Jordânia é parceira histórica de Washington no combate ao extremismo, enquanto o governo sírio recém-instalado afirma estar empenhado em conter o terrorismo e restaurar relações com o Ocidente. A operação jordaniana foi considerada rara: bombardear soberania de país vizinho, mesmo aliado, demonstra a gravidade atribuída ao ataque à igreja. As autoridades jordanianas também agiram dentro de casa: prenderam dois irmãos e o cunhado deles em conexão com o atentado, em ação simultânea à ofensiva externa.
O conflito expõe fragilidade na região: grupos remanescentes do Estado Islâmico ainda operam em zonas de difícil controle, aproveitando limites de poder entre governos. Enquanto Amã justifica a ação como legítima defesa, Damasco sinaliza que a soberania foi violada — e a tensão pode dificultar cooperação futura. O equilíbrio entre segurança e diplomacia volta a ser testado numa das regiões mais sensíveis do mundo.
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