Empresária Roberta Luchsinger acumula ações judiciais por dívidas enquanto exibe vida de luxo nas redes
há 21 minutos
2 min de leitura
Foto: Reprodução via @RoLuchsinger / Twitter
A empresária e lobista Roberta Luchsinger mantém nas redes sociais uma imagem associada a viagens internacionais, restaurantes sofisticados e uma rotina de alto padrão. Nos tribunais, porém, ela enfrenta uma série de ações relacionadas a dívidas não pagas. Processos em São Paulo e Minas Gerais mostram que prestadores de serviços e outros credores recorreram à Justiça para tentar receber valores que, segundo eles, não foram quitados.
Em alguns dos processos, oficiais de Justiça tiveram dificuldades para localizar Roberta nos endereços informados. Também houve casos em que não foram encontrados bens ou dinheiro em contas bancárias que pudessem ser usados para quitar os débitos. Em duas ações, a empresária chegou a alegar não ter condições financeiras para arcar com as despesas judiciais e pediu isenção desses custos.
Um dos casos envolve o empresário Lauro Vallejo e um projeto de documentário sobre o designer de carros de luxo Horacio Pagani. A produção teria orçamento de US$ 4 milhões e, segundo o relato apresentado à Justiça, dependia de recursos que seriam liberados por um suposto fundo de investimentos do Bahrein. Antes da realização das filmagens, porém, seria necessário um empréstimo-ponte de US$ 300 mil, cerca de R$ 1,5 milhão na cotação da época.
Vallejo afirmou que acabou sendo convencido a participar da operação como avalista e colocou uma fazenda que possuía no interior de Minas Gerais como garantia. Segundo o empresário, ele recebeu a promessa de participação na bilheteria do filme e de uma comissão pelo negócio. Como o projeto não avançou conforme o esperado, a propriedade acabou sendo tomada pelo credor.
Outro processo citado envolve o prestador de serviços Nilton Cézar Pires. Segundo ele, Roberta o contratou em 2011 para realizar reformas e fornecer itens para alguns imóveis, em um serviço avaliado em R$ 61 mil. Pires afirmou que entregou os trabalhos e os produtos previstos, mas não recebeu o pagamento. Diante da falta de quitação, decidiu recorrer à Justiça para cobrar o valor.
As ações judiciais envolvendo Roberta se somam às investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre sua atuação como lobista. Ela é investigada no contexto da Operação Sem Desconto, que apura um esquema de descontos irregulares no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e estima prejuízo de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.
A investigação também apura a relação de Roberta com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Segundo a PF, a empresa de Roberta, a RL Consultoria e Intermediações Ltda., recebeu cerca de R$ 1,5 milhão de uma consultoria ligada a Antunes, apontada pelos investigadores como uma empresa de fachada. Roberta confirmou ter apresentado Lulinha a Antunes, mas afirmou à PF que o contato ocorreu em um contexto social.
A defesa de Roberta afirma que ela é alvo de uma “campanha difamatória”, nega a existência de condutas ilícitas e pediu o arquivamento das investigações. As apurações sobre a atuação da empresária e os processos relacionados às dívidas seguem em andamento.
Comentários