Especialistas e empresas destacam papel crescente da inteligência artificial na indústria criativa
há 13 horas
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A indústria criativa — abrangendo setores como mídia, conteúdo audiovisual, design, publicidade e artes — está passando por uma transformação impulsionada pela inteligência artificial (IA), que tem ampliado sua participação na produção de conteúdo, alterado rotinas profissionais e levantado debates sobre seu impacto econômico e social. Especialistas ouvidos por fontes internacionais destacam que, ao mesmo tempo em que a IA tem potencial para aumentar produtividade, reduzir custos e democratizar o acesso a ferramentas criativas, ela também traz desafios estruturais para trabalhadores e modelos de negócio tradicionais.
Um relatório recente da UNESCO, por exemplo, aponta que a adoção acelerada de IA generativa no setor cultural e criativo pode repercutir em redução de receitas de até 24% para criadores de música e cerca de 21% para profissionais do audiovisual até 2028, um reflexo da transformação digital nos mercados globais e da entrada massiva de conteúdos gerados por IA.
Ao mesmo tempo, empresas de tecnologia e gigantes do setor digital afirmam que a inteligência artificial não só melhora a eficiência operacional, como também cria novas formas de produção e distribuição de conteúdo. Em iniciativas no Brasil e no mundo, o uso de IA tem sido associado a novos produtos criativos, automação de fluxos de trabalho e auxílio em processos conceituais e técnicos de desenvolvimento de ideias e peças de mídia, com impacto positivo em métricas como produtividade e personalização de experiências.
No Brasil, esse movimento tecnológico também tem repercussão no debate em níveis governamentais e empresariais. Autoridades brasileiras têm defendido a discussão sobre regulamentação e governança da IA em fóruns internacionais, afirmando a necessidade de garantir que a tecnologia fortaleça aspectos como democracia, coesão social e proteção de direitos, sem concentrar poder tecnológico nas mãos de poucos atores globais — um tema que tem sido tratado por representantes do país em eventos como a Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial na Índia.
O fenômeno também já aparece em casos práticos de mídia e cultura no Brasil, com criações de personagens e programas gerados inteiramente por IA que viralizaram nas redes sociais, abrindo debates sobre autoria, direitos autorais e o papel de artistas humanos em um cenário de produção automatizada. Essas experiências demonstram tanto as oportunidades criativas quanto as questões legais e éticas emergentes com o uso crescente de tecnologia no processo artístico.
Analistas e organizações do setor ressaltam que a adoção de IA pode resultar em novos modelos de trabalho e demanda por habilidades especializadas, à medida que a tecnologia passa a integrar funções criativas e gerenciais nas empresas. Ao mesmo tempo, existe a necessidade de políticas públicas e estratégias empresariais que considerem proteção de renda, direitos de propriedade intelectual e capacitação profissional para que trabalhadores da indústria criativa se adaptem às mudanças provocadas pela automação e inovação digital.
Nesse contexto, a indústria criativa se encontra em um ponto de inflexão: a inteligência artificial representa tanto um motor de inovação e expansão de oportunidades quanto um desafio para modelos tradicionais de negócio e para a manutenção de empregos e rendas em setores criativos estabelecidos.
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