Estudo aponta desafios e propõe estratégias para fortalecer as cadeias da cachaça de alambique e do queijo artesanal em Minas Gerais
8 de nov. de 2024
2 min de leitura
Reprodução
A legislação complexa e a falta de mão de obra qualificada foram identificadas como os principais desafios enfrentados pelas cadeias da cachaça de alambique e do queijo artesanal de Minas Gerais. Esse diagnóstico foi apresentado em dois workshops organizados pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) nos dias 5 e 6 de novembro, em Belo Horizonte, na sede da Epamig.
Durante o 1º Workshop da Cachaça de Alambique de Minas Gerais e o 1º Workshop do Queijo Artesanal de Minas Gerais, foram discutidas dezenas de propostas estratégicas para impulsionar esses setores. O estudo que fundamentou as discussões foi coordenado pelo professor Gustavo Bastos Braga, da Universidade Federal de Viçosa, e envolveu entrevistas com diversos atores das cadeias produtivas nas principais regiões produtoras, desde fornecedores de insumos até o ponto de venda final.
Thales Fernandes, secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, destacou a importância da cachaça de alambique e do queijo artesanal como símbolos dos produtos artesanais mineiros. Fernandes ressaltou o apoio contínuo do Governo de Minas aos pequenos produtores e à agricultura familiar, destacando como a simplificação das legislações e a criação de microrregiões regulamentadas têm beneficiado especialmente o setor de queijo.
Desafios na produção de cachaça
No workshop da cachaça, um dos principais obstáculos discutidos foi a dificuldade de encontrar mão de obra qualificada, especialmente para produtores de médio porte. Segundo o professor Gustavo Braga, quando esses produtores tentam expandir, a falta de trabalhadores qualificados se torna um problema crítico. Além disso, a imagem negativa ainda associada à cachaça foi mencionada como outro desafio. Braga acredita que essa percepção pode ser revertida com o reconhecimento da cachaça como um produto de alta qualidade, valorizando a bebida como parte essencial da cultura mineira, semelhante ao orgulho do México pela tequila.
Modernização e união no setor de queijo artesanal
No caso do queijo artesanal, um dos principais pontos levantados foi a necessidade de modernizar a legislação e simplificar o sistema tributário. A falta de mão de obra qualificada e os problemas de falsificação e adulteração de produtos também foram discutidos. Propostas para enfrentar esses desafios incluem a capacitação dos produtores, o fortalecimento das associações e cooperativas e a conscientização sobre o valor do cumprimento da legislação.
Outro aspecto relevante é a valorização do queijo artesanal pelo próprio consumidor final. Segundo Gustavo Braga, há muito espaço para evolução no conhecimento do público sobre os queijos artesanais, com o objetivo de atingir um nível de apreciação semelhante ao que hoje se vê em relação ao café.
Comentários